Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 18/11/2020
Paulo Freire afirma: “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”, esse pensamento coincide com a realidade brasileira a cerca da questão educacional. Atualmente, as reservas de vagas em instituições públicas e privadas de ensino superior tentam corrigir a injustiça sofrida por minorias no Brasil desde sua formação. Suas causas derivam desde uma herança cultural escravista até a disseminação falaciosa de um discurso meritocrático. Em suma, medidas de reorganização desse setor social são fundamentais garantir a equiparação dos povos.
Com isso, é indubitável que as diferenças sociais e econômicas polarizam a estrutura da sociedade. Dessa forma, medidas governamentais como as cotas raciais ampliam o acesso a educação superior as minorias e contribuem para a inclusão da diversidade no ambiente social, uma vez que une a juventude em prol do formação profissional, confirmando o pensamento de Hellen Keller: “o resultado mais sublime da educação é a tolerância”. Além disso, essa politica colabora para a reafirmação da identidade nacional, na qual admite o passado e, através da inclusão, busca estabelecer a equidade de oportunidades. Evidencia-se, então, a necessidade de politicas publicas na contenção dos problemas sociais de cunho segregacionista e racial.
Todavia, sob essa perspectiva, é irrefutável as marcas profundas que discriminação deixa na humanidade. Desse modo, essa herança social, ainda não superada, abre margens para a perpetuação de pensamentos e atitudes preconceituosas, o que só aprofunda o racismo estrutural e a afirmação errônea de que todos temos as mesmas oportunidades, independentemente das adversidades a qual estamos submetidos. Ademais, a falta de uma educação básica gratuita de qualidade, reafirma a necessidade de ações afirmativas, haja vista, os alunos da rede pública, em média, não apresentam as mesma condições de concorrer com alunos de instituições privadas. Mostra-se, assim que a reprodução das desigualdades ainda é um problema social.
Diante do exposto, portanto, é necessária uma intervenção estatal de caráter reformista, aliado ao MEC, investir na reformulação da didática e na modernização do ensino, tornando a educação básica mais atrativa e eficiente, para que o sistema de cotas atue como uma medida paliativa durante tal transição. A Sociedade, por sua vez, deve atuar ativamente na educação de seus jovens e garantir o acesso a esses veículos. Também, cabe ao cidadão ter a consciência de seus direitos políticos, sociais e civis e lutar pela efetivação deles. E assim, a transformação social de Freire aconteceria em conjunto com uma educação sólida.