Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 18/11/2020

Em 1888 no Brasil, foi proclamada a abolição da escravidão, sendo o último país a efetivar essa ação e com isso mostra o atraso do país em pôr um fim a esse sistema racista. Dessa forma, evidencia-se as cotas como um avanço no Brasil, haja vista que a aplicação desse sistema, apesar de tardia, tem como função a inclusão dos negros nas universidades e, consequentemente, na sociedade. Dessarte, faz-se necessário o debate sobre o valor do uso das cotas, como a sua utilização em função da reparação social e em conformidade da não hierarquização do setor educacional e social.

Em primeiro plano, vale ressaltar a importância das cotas na injusta sociedade hodierna. Segundo Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul, a educação é a ferramenta mais poderosa capaz de mudar o mundo. Nesse sentido, nota-se a importância da educação e da inclusão, nas faculdades, dos indivíduos marginalizados, já que no Brasil, devido a desigualdade social e econômica muito elevada, ocorre tanto o distanciamento do indivíduo negro e pobre da sociedade, como também a evasão escolar, mediante ao caótico cenário da educação básica pública no país. Dessa maneira, além de ser capaz de mudar o mundo, a educação e a implementação do sistema de cotas direciona ao negro e ao pobre, a oportunidade de ingressar e utilizar da educação, o que antes o foi negligenciada.

Em segundo plano, vale salientar o uso das cotas em função de mitigar a hierarquização racial e educacional. Conforme o filme norte americano “Estrelas além do tempo”, mulheres negras tiveram que opor-se ao racismo no Estados Unidos ao tentar ingressar e atuar em locais, como universidades, antes ocupados por apenas pessoas brancas. Desse modo e fora do cinema, evidencia-se a constante luta do negro em confrontar a baixa presença nas faculdades, assim como distanciar-se do racismo imposto pela hierarquização educacional e racial presente no mundo. Nessa perspectiva, denota-se da importância da democratização da educação, assim como a adequação e utilização das cotas para a não hierarquização racial presente na educação hodiernamente.

Portanto, faz-se mister a solução da problemática. Logo, o Ministério da Educação -Órgão responsável pela gestão educacional no Brasil- deve implementar e garantir a utilização adequada do sistema de cotas nas universidades, por meio de uma criação de um setor de fiscalização nos polos das universidades, de modo que durante o processo de vistoria do uso de cotas não tenha desvios nos ideais protegidos pelo sistema, a fim de que as cotas sejam, efetivamente, ferramentas de reparo social. Além disso, o Ministério da Educação deve também democratizar a educação a fim da não hierarquização social e educacional no país.