Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 20/11/2020

A supremacia branca sempre foi algo presente na sociedade. Isso acabou por gerar uma exploração em massa de pessoas não-brancas, que acabaram por se tornar mais vulneráveis a torturas, mutilações, encarceramento e até mesmo extermínio, sendo vistas como pessoas que podiam ser aniquiladas impunemente. Além disso, períodos como Brasil Colônia e Alemanha Nazista também nos deixaram consequências de práticas racistas, presentes até os dias atuais.

Em 2018, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) feita pelo IBGE, 56,10%  da população brasileira é negra; também segundo o IBGE, 75% dos pobres no Brasil são negros. Segundo a ONU, a cada 23 minutos, um jovem negro morre no Brasil. Assim que a criança negra nasce, se depara com uma realidade de pobreza e preconceito, em consequência de um fardo histórico que o mundo carrega que deixa a população negra totalmente apagada em meio a nossa sociedade atual. Com essa análise de dados, se formos comparar as chances de um branco e de um negro ingressarem em uma universidade, podemos chegar a conclusão de que não há isonomia. Sem as cotas, os alunos que possuem acesso as universidades são os alunos que tiveram um ensino privilegiado, pois ao analisarmos o ensino público brasileiro, sabemos que as doutrinas são totalmente inferiores as do ensino privado, o que retira a real hipótese de competitividade dos vestibulares.

Outro fator causador da falta de pessoas não-brancas nas universidades é o trabalho infantil, muito comum desde muito cedo em comunidades carentes. Para essas pessoas, as cotas servem como uma rota temporária para as universidades, até, de fato, a igualdade e a isonomia pousar em suas vidas. Com isso, é extremamente necessário que haja melhorias nos programas sociais direcionados as crianças e adolescentes, assim, os estudantes terão uma maior possibilidade de se dedicar aos estudos. É essencial que os jovens no Brasil possam ter sonhos diferentes do que a dura realidade em que vivem, por isso, o Brasil precisa de metas para poder reconfigurar o cenário educacional.

A falta de acesso a educação de qualidade é uma questão fundamental que mantém a população não-branca em posição marginalizada, permanecendo sem oportunidades de melhoria de vida. As questões raciais no Brasil ainda são resolvidas com muita munição e violência, e as ações cotistas são, atualmente, o principal meio para reduzir a dívida histórica que o Brasil possui com negros, pardos e indígenas. Ao contrário do que afirmou o atual presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, cotas não são equivocada e não se trata de ‘coitadismo’, pois o aumento dessas pessoas em universidades nos torna um país com mais igualdade social e mais cidadãos alcançando seus direitos civis, sendo o caminho mais curto para se aproximar de uma cura para um país que é tão doente em desigualdade.