Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 18/11/2020

“Cota não é esmola!”. É com essa frase que,a cantora e compositora Bia Ferreira, revela a realidade que uma menina “preta e pobre” tem para entrar em uma universidade pública no Brasil. Essa canção mostra a preeminência da política de cotas no território nacional. Dentro dessa perspectiva, fica claro a necessidade de hoje existir uma política afirmativa para tentar minorar o passado escravagista, humilhante e desigual que negros, indígenas, pardos e pobres tiveram no país. De forma que, não ter reserva de vagas em universidades é a chancela de um país obsoleto e excludente.

Primeiramente, vale ressaltar que, a política de cotas é um passo importante para a sociedade brasileira. Isso no sentido de oportunizar qualificação acadêmica para as pessoas que, por questões históricas, não conseguiriam competir em “pé de igualdade” com outras que tiveram mais “sorte” na sua trajetória familiar. No entanto, é preciso que o Governo use essa política de crescimento social e de igualdade entre cidadãos como uma ferramenta temporária e não como uma “muleta”. Por isso, devemos aparelhar a educação como um todo, ensino fundamental, médio e superior, para que no futuro nenhum brasileiro precise “pedir esmola”.

Associado a esse engajamento educacional e ainda visando a inclusão meritocrática de alunos no ensino superior, o processo comprobatório e a validação da cota deve ser ampliado e esmiuçado. Isso porque alguns candidatos usam a lei 2711(lei de cotas) indevidamente, como dados da Folha de São Paulo denunciam que de 2012 a 2018 aproximadamente 15% das vagas para cotistas negros, pardos ou indígenas de baixa renda foram  usadas por pessoas que não tinham esse direito. Esse processo de validação não pode se usado como um “tribunal racial”, mas sim como uma forma de corroborar o uso dessa política afirmativa que levará a sociedade tupiniquim a avanços cada vez maiores.

Portanto, conclui-se que, as cotas nas universidades são positivas para o país, mas é preciso que o Governo Federal tome medidas para torná-las ainda mais licitas e “desnecessárias”. Primeiro é preciso que o Estado, por meio das reitorias das universidades,forme bancas rigorosas de checagem de documentação e histórico financeiro e étnico dos candidatos e de suas respectivas famílias com o intuito de filtrar detalhadamente os candidatos corruptos. Além disso, essa mesma banca deve montar um canal, “disk denúncia”, para que colegas ou outras pessoas possam denunciar possíveis casos de fraude, como já é realizado, de forma não oficial, em algumas universidades como a USP e a Universidade Federal de Pernambuco. Somado a isso, a segunda ação a ser tomada é investir na educação de base,de forma que os alunos oriundos de escolas públicas possam competir igualmente com alunos mais abastados. Dessa maneira, deixando as cotas no passado e tendo um futuro melhor.