Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 25/11/2020

A obra “Ensaio sobre a cegueira” de José Saramago,retrata uma sociedade que,supostamente,encontra-se cega. Fora da literatura,algo semelhante acomete a arena social, que é o debate sobre as cotas nas universidades, visto que algumas algumas pessoas são contra esse benefício. Nessa perspectiva, há a questão das falhas na rede pública de ensino, assim como o despreparo da maior parte dos estudantes de escolas públicas contribuem para perpetuar essa mazela.

Precipuamente, é válido enfatizar que grande parte das escolas do Estado não conseguem ofertar um ensino de qualidade.Sob esse viés,o sociólogo polonês Zygmunt Bauman criou o conceito de “instituições zumbi”, nas quais as instituições, dentre elas o Estado,mantêm sua forma a todo custo,mas perde sua função social. Nesse sentido, é exatamente o que acontece com os colégios da rede pública de ensino quando não oferta um ensino de qualidade. Prova disso, são as reportagens do jornal da Globo “Bom dia Brasil”, que retrata escolas sem merendas,falta de materiais,professores e com  estruturas precárias. Como resultado, o jovem não consegue aprender de fora adequada pela falha do Estado em proporcionar educação boa para população.

Outrossim, é possível enfatizar que alunos da rede pública apresentam deficiência no seu estudo devido as controvérsias dos colégios do Estado. Nesse contexto, o sociólogo francês Pierre Bourdieu defende a “Teoria do Habitus”, em que a sociedade tende a normalizar e reproduzir comportamentos errôneos de uma determinada época. Desse modo, é notório que pessoas que são contra as cotas nas faculdades não levam em conta esse fatores adversos contrários ao ensino do indivíduos da rede pública. Assim sendo, segundo dados do site do telejornal “G1” a maior parte dos aprovas na faculdades públicas são alunos de escolas particulares. Por conseguinte, a ausência de cotas significaria menos jovens de colégios do Estado nas faculdades.

Portanto, o Estado em parceria com corpo social deve suscitar ações contra essas intempéries.Dessa Forma, cabe ao Ministério de Educação e cultura ,por meio de verbas, fazer reformas nas escolas com obras de reparo das estruturas,ampliando os professores,merenda e material escolar, com intuito de proporcionar ensino de excelência. Ademais, cabe ao superministério da Economia proporcionar,por intermédio de emendas, ampliar o número de cota nas faculdades, com fito que mais alunos da rede pública consiga ingressar nas faculdades. Assim,poder-se-á aprender a lição de Saramago:se podes olhar,vê,se podes vê,repara.