Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 19/11/2020
Desde o Brasil colônia, cerca de 600 mil mulheres e homens africanos eram trazidos ao novo mundo para servir à coroa portuguesa, sobrevivendo à realidade escrava, morrendo aos montes nos navios negreiros ou açoitados nos troncos, por ‘‘desobediência’’. No atual contexto, a dívida com descendentes de afro-brasileiros não foi completamente paga, ainda existe pobreza, falta de prestígio social e o famigerado racismo. Por isso, mesmo amenizada, essa infeliz realidade prevalece no Brasil. Essa problemática ainda prolonga o fim da discriminação, o prevalecimento da segregação racial e favorece o desnível da educação brasileira.
Primeiramente, no que tange a inclusão de negros, pardos e indígenas nas universidades, por meio de cotas, ainda há quem pense que elas são desprezíveis. Entretanto, dificultar o acesso desse grupo de pessoas na universidade, é um descaso e uma falta de responsabilidade social com os marginalizados. É tampar os olhos perante o passado tão cruel que se passou no Brasil, onde o preço pela segregação racial sofrida, eles vivem até hoje. Por conseguinte, a utilização de cotas como acesso à educação é um direito que deve ser assegurado. Assim como, o Art 3, inc. III da Constituição Brasileira de 1988, diz respeito que o objetivo fundamental da república é erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais.
Em segundo plano, sabe-se que as escolas públicas são sempre pivôs em várias problemáticas. De modo que, as questões políticas se misturem com as socioculturais e isso interfira no processo pedagógico pelos quais passam os estudantes. A maior parte dos negros e as pessoas de baixa renda dependem do ensino público, que por sua vez, tem suas limitações. A precariedade das escolas, professores que não acabam não assumindo tamanha responsabilidade com o ensino, alunos cansados e que desprezam os estudos, a alienação de seus direitos e o trabalho precoce, corroboram para distanciar os indivíduos da vagas nas universidades. No entanto, isso prova a veracidade na afirmação de Immanuel Kant: ‘‘O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele.’’
Portanto, medidas são necessárias para resolver esse impasse. O MEC, juntamente com os professores da rede pública e do ensino de jovens e adultos (EJA),deveriam conscientizar seus estudantes por campanhas e por aulas extraclasse, de elas podem e têm como serem incluídas no mundo da universidade. Por meio das redes sociais subir hashtags, mostrando a forma de acesso, as cotas e contribuir para a criação de pré-vestibulares comunitários. Visando erradicar a pobreza e ajudando marginalizados à entrarem no ensino superior que lhes é de direito. Assim, o sonho de Maria Carolina de Jesus, de o Diário de uma favelada, irá tomar vida a partir das comunidades brasileiras.