Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 22/11/2020

Ações afirmativas são aquelas promovidas pelo estado em vista de diminuir injustiças, é o caso das cotas para o ingresso no ensino superior publico: são vagas dessas universidades destinadas aos estudantes de escolas publicas, sendo parte dessas voltadas aos negros, pardos e indigenas. Aderidas aos poucos desde o início do milênio, as cotas foram muito questionadas no seu potencial de inclusão. No entanto, fica evidente depois desses anos em uso que, ainda que sozinhas não sejam o bastante para acabar com a exclusão desses grupos marginalizados, as cotas são um passo nessa direção, e já causaram avanços.

De início, um dos argumentos contra a existência de cotas é não resolverem todo o problema da educação precária da rede pública, dessa forma os esforços deveriam ser dirigidos à educação básica. Entretanto, como explica a comunicadora Gabi Oliveira, a política de cotas deve ser uma de muitas ações que abarquem as diversas dimensões desse problema, o que não a faz menos efetiva em incluir aqueles que já passaram pela educação básica de menos qualidade que estudantes de redes particulares de ensino, com quem concorreram. Assim, ao contrário de não se implantar essa política por não ser uma solução absoluta, deve-se buscar promulgar diversas ações incluindo as cotas.

Ademais, cabe ressaltar o legado de avanço que as cotas têm deixado. A sociedade brasileira é composta por maioria de negros e pardos autodeclarados, segundo o IBGE, entretanto isso não se reflete nos espaços de prestigio como camara dos deputados, supremo tribunal federal, dentre outros. Mas, apoś a implantação das cotas, o cenario das universidades começou a mudar, atingindo inclusive em 2019 maioria de negros e pardos na UNICAMP, uma das maiores unercidades do Brasil. A presença desses estudantes visivelmente aumentou com a politica de cotas, atestando sua efetividade.

Conclui-se que as cotas claramente representam a inclusão da rede publica de ensino nas universidades, e têm rendido avanços importantes. É necessario entretanto, se atentar a outras dimensões da questão da educação brasileira, e promover ações em diferentes escalas. Para isso, todas as escolas do ensino basico deveriam ser bem estruturadas, o que poderia ser atingido com a execuçãp de orçamentos participativos em cada municipio voltados à educação, uma vez que aqueles que utilizam o serviço podem propor soluções mais eficientes. Com a participação popular concreta e ações diversas além das cotas, a educação de qualidade poderá finalmente ser para todos.