Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 19/11/2020
Desde o iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa a questão das cotas nas universidades brasileiras, hodiernamente, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pela educação deficitária, seja pela ineficiência governamental. Nesse sentido, convém analisar as principais consequências de tal postura negligente para a sociedade.
É indubitável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do problema. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, a desigualdade educacional rompe com essa harmonia, haja vista que, segundo dados do IBGE, um aluno de escola paga tem o dobro da chance de entrar no ensino superior, dessa forma, mostrando a discrepância existente entre o ensino oferecido nas escolas públicas e particulares na qual colabora para diminuir ainda mais a chance do aluno de uma escola pública entrar em uma universidade.
Outrossim, destaca-se a ineficiência governamental como impulsionador do problema. De acordo com o sociólogo Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar. Seguindo essa linha de pensamento, como a maior parcela dos estudantes de escolas públicas são pardos e negros, o sistema de cotas acaba, infelizmente, servindo para manutenção de diversos preconceitos raciais ainda presentes na sociedade, logo, medidas fazem-se necessárias para garantir a igualdade no acesso às universidades brasileiras.
É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à construção de um mundo melhor. Destarte, o Estado deve, em parceria com o Ministério público, alterar esse quadro de desigualdade, disponibilizando mais recursos destinados à área da educação não privada, dessa forma, permitindo aos órgãos locais a melhoria dos prédios, da qualificação dos professores, dos materiais utilizados em sala de aula, feito isso, permitindo, principalmente, a todos os alunos o acesso a uma educação de qualidade. Como já dito pelo pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e essas mudam o mundo. Logo, o Ministério da educação deve instituir palestras nas escolas ministradas por professores capacitados, elucidando aos estudantes como que é o processo do vestibular e auxiliando-os no decorrer de toda a preparação para o mesmo, a fim de que o tecido social se desprenda de certos tabus para que não viva a realidade das sombras, assim como na alegoria da caverna de Platão.