Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 19/11/2020
As cotas sócio raciais são um projeto do governo brasileiro para diminuir a disparidade dos alunos de universidades públicas em relação a porcentagem correspondente da população do país. Elas se fizeram necessárias, por causa da pouca presença de indivíduos negros, pardos, índios ou provenientes de escola pública nesses ambientes universitários. Logo, observa-se que tal iniciativa significa uma grande conquista para a inclusão de jovens marginalizados, mas também pode ser um retrocesso se o problema educacional do Brasil não for solucionado.
Em primeiro lugar, é importante salientar que as cotas auxiliam o reparo de desigualdades no ensino. Segundo o Slavoj Zizek, a sociedade comete violência objetiva contra uma parcela de seus integrantes. Esse modo de agressão se concretiza na segregação de pessoas, visto que esta é causada pela cultura racista, preconceituosa e elitista na qual a nação brasileira foi edificada. Nesse contexto, a exclusão social de pretos, pardos, indígenas e pobres se manifesta em sua diminuta inserção em instituições de ensino superior sem custo. Assim, verifica-se que as cotas ampliam a presença de cidadãos, previamente suprimidos, em faculdades federais e estaduais.
No entanto, as cotas não corrigem um grave problema social presente na comunidade brasileira. De acordo com o IBGE, 30,7% dos estudantes do ensino médio público estão defasados em relação à série e, ou à idade condizente. Isso evidencia a má qualidade da educação que atende 80% dos discentes do território, conforme outra pesquisa do IBGE. Nesse sentido, analisa-se que indivíduos vítimas da violência objetiva recebem uma instrução deficitária, consequentemente, eles têm dificuldades de adentrar universidades de qualidade. Então, vê-se que as cotas são soluções a curto prazo, pois sem a melhora na transmissão de conhecimento o ciclo excludente se perpetua.
Portanto, nota-se que as cotas sociais e raciais se constituem como inclusão, todavia a questão educacional precisa ser resolvida para que elas não hajam como um retrocesso. Por isso, o Governo Federal deve investir amplamente no setor educativo, por meio de um remanejamento de contas feito pelo Ministério de Economia. Neste cenário, precisa ocorrer a construção e reforma das escolas públicas do país, bem como a reelaboração dos materiais escolares e também melhor capacitação dos professores, a fim de corrigir a grave situação educacional brasileira ao disponibilizar ensino de qualidade a todos. Apenas com essas medidas as cotas servirão o seu devido propósito.