Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 19/11/2020

Um eco de um sonho

Uma sociedade não mais estratificada, mas que ainda guarda ecos do passado. Esse é o Brasil contemporâneo, no qual pessoas negras continuam discriminadas, assim como ocorrido na Conjuração Baiana, no fim do século XVIII. Nessa perspectiva, o uso de cotas nas universidades é de extrema importância, seja por uma restituição histórica, seja pelas condições sociais precárias.

Primeiramente, é importante ressaltar a importância da Constituição Cidadã, promulgada em 1988, na qual todos os cidadãos são iguais e merecem as mesmas possibilidades. No entanto, essa não é a realidade vivida. Além das condições sociais decadentes, é visível a dificuldade que pessoas negras enfrentam para ter acesso ao ensino superior, aliado ao bullying - muito explorado na série Todo mundo odeia o Chris - e a desconfiança por parte da sociedade de que são incapazes de manter o nível intelectual. Tal pensamento racista, eco da escravidão no país que mais demorou a reconhecer a igualdade humana, corrobora com a dificuldade de jovens e adultos em ter acesso ao ensino superior e, consequentemente, uma vida melhor. Desse modo, as cotas não somente garantem maior igualdade àqueles em situação delicada, como também são o marco de uma restituição histórica muito necessária, que hodiernamente afeta milhares de cidadãos brasileiros.

Outrossim, é sabido que, após o fim da escravidão, nenhuma medida estatal para integração social foi tomada, o que só intensificou o processo de exclusão social e marginalização da população negra. Viver em casas apertadas, sem saneamento básico e com um salário mínimo é a síntese de uma realidade maquiavélica.  Ademais, há quem diga que as cotas aumentam a segregação racial, por separarem uma parte do todo. Todavia, essa é uma prerrogativa falsa, pois a realidade evidencia o racismo estrutural, em que, mesmo havendo cotas, as taxas de negros no ensino superior federal e estadual é muito baixa. Vítimas de um sistema de ensino público básico carente, os cidadãos negros não alcançam notas suficientes para o ensino superior gratuito e são forçados a ir para a rede particular. Dessa forma, é evidente que as cotas são muito importantes, dado que o homem é imperfeito e, sem algo para igualar as oportunidades, nunca haverá a equidade realmente.

Portanto, na conjuntura apresentada, é imprescindível que o Governo Federal, através do Ministério da Educação, crie uma plataforma online e gratuita que contenha videoaulas e exercícios, em que os alunos possam acessar a qualquer horário, a fim de melhorar o ensino público de base. Além disso, é essencial que haja metas semanais, para efetivar o uso pelos alunos e, assim, criar e garantir uma sociedade mais igualitária, na qual os ecos do passado não atrapalhem os sonhos do futuro.