Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 19/11/2020

As cotas e a desigualdade social

A série “Olhos que Condenam”, produzida pela Netflix, retrata uma história, baseada em fatos reais, de seis jovens negros que foram condenados pelo estupro de uma mulher. Porém, anos depois, foi descoberto que tais adolescentes não eram os culpados. Fora deste contexto, é verídico que o tema abordado pela Netflix deve ser discutido na comunidade: o racismo e suas consequências sociais. Sob essa ótica, ao observar a conjuntura histórica e tudo o que os negros enfrentaram - e enfrentam - com a escravidão, fato é: a sociedade tem uma eterna e impagável dívida para com esses, mostrando que ações como as cotas nas universidades são algumas maneiras de se combater esta desigualdade.

Em primeiro lugar, vale destacar que ainda existe uma ideia enraizada na sociedade de que as conquistas profissionais e ambições acadêmicas são alcançadas com base na meritocracia. No entanto, por mais que o esforço pessoal seja necessário para tais objetivos, é importante salientar que o Brasil não é um país homogêneo no tocante às questões socioeconômicas. Assim, nota-se que um estudante de classe média e de escola particular tem certos privilégios que outro de classe baixa e escola pública não tem. Nessa perspectiva, assim como cita o escritor brasileiro Joaquim Nabuco, é vital acabar não somente com a escravidão, mas com as obras desta, revelando que as cotas universitárias se tornam um meio para tal finalidade.

Por conseguinte, presencia-se um forte poder de influência governamental neste quesito. À vista disso, ainda que a lei das cotas obrigatórias nas universidades tenha sido uma iniciativa do Estado, há uma escassez de políticas públicas voltadas ao policiamento efetivo dos estudantes que utilizam este sistema. Por isso, nos últimos anos, vê-se muitos casos de pessoas que usam as cotas para adentrar no ensino superior sem ter o direito de usá-las. Dessarte, a célebre frase do filósofo grego Aristóteles de que a política deve ser usada para alcançar o equilíbrio social está muito distante da realidade, mostrando a urgência em modificar este quadro.

Logo, urge que o Estado tome providências para reverter a situação atual. O Ministério da Educação - principal órgão responsável pela pedagogia do país - deve fomentar que as escolas criem a “Semana da Conscientização”. Nela, através de debates e palestras, serão trabalhados temas como o racismo e as consequências desse preconceito, mostrando aos estudantes a desigualdade social como sendo um dos tais efeitos e com o fim de fazê-los compreender a importância das cotas universitárias neste cenário. Assim, situações preconceituosas, como aquela apresentada pela Netflix, serão combatidas pelos cidadãos da sociedade.