Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 01/12/2020

Na música “Cota não é esmola”, a cantora Bia Ferreira enfatiza a importância das cotas em universidades para a promoção da igualdade no Brasil. Tal percepção advém da inclusão social possibilitada por essa política afirmativa, que, diante das discrepâncias sociais inerentes ao território nacional, emerge como uma alternativa para superar a realidade vigente. Dessa forma, urge a necessidade de medidas que incentivem a continuidade da atuação das cotas, devido ao  seu papel preponderante para supressão de retrocessos sociais referentes a desigualdades educacionais e econômicas no país.

Em primeiro plano, é preciso analisar que o proporcionamento de cotas no ambiente universitário é primordial para o progresso social. Esse contexto decorre da continuidade de discrepâncias no país, sustentadas por questões econômicas, que favorecem a inserção daqueles que são possuidores de maior renda e segregação dos menos abastados em instituições públicas de ensino, devido às divergências de oportunidades educacionais para aquisição das vagas. Diante disso, percebe-se, no Brasil, que a implementação de cotas minoram os desafios para inclusão dos indivíduos mais pobres em âmbitos de graduação e, assim, proporcionam a atuação democrática do ensino superior público no país, assegurando a aplicação prática do caráter democrático da Constituição Federal de 1988.

Ademais a existência de cotas universitárias é indispensável para diminuição de contrastes econômicos no Brasil. Nesse cenário, a inserção do cidadão com menor renda em universidades propicia a sua formação acadêmica plena e sua incorporação no mercado de trabalho por meio da obtenção de conhecimentos gratuitos estimulados pelo ensino público. Desse modo, a promoção de políticas afirmativas para a inclusão populacional nas universidades altera o panorama exposto pelo jornal “Veja”, que afirma a existência de uma concentração de renda cerca de 33 vezes maior em 1% da população em comparação com a parcela social com menor rendimento em 2018. Em síntese, as cotas são indispensáveis para a harmonia e integração do corpo social por meio da superação de desigualdades.

Portanto, cabe ao Ministério da Educação criar projetos e campanhas com amplo acesso populacional, por meio da promoção de palestras e debates em locais públicos e meios midiáticos, como “postagens” em redes sociais e programas televisionados. Tais atividades incluirão a discussão entre professores universitários e o povo acerca dos benefícios oriundos das cotas para inclusão social no Brasil, a fim de sancionar a visão popular da cota como instrumento para transformações sociais e, assim, incentivar a entrada de pessoas nas universidades públicas por meio delas. Consequentemente, a igualdade social poderá ser um direito pleno, como evidenciado na música cantada por Bia Ferreira.