Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 20/11/2020
Segundo o importante literato inglês, Aldous Huxley, “Os fatos não deixam de existir só porque são ignorados.” Nessa esteira de pensamento, podemos suscitar discussões sobre cotas nas universidades: inclusão ou retrocesso?, como tema que, apesar de ser um grande problema, muitas vezes invisibilizado no país, ele repercute em diversas áreas sociais. Ademais, essa problemática é de grande relevância não só para os órgãos competentes mas também para todo um corpo social, que, de algum modo, é afetado direta ou indiretamente por essa incômoda situação. Esse fato se dá pela negligência estatal em relação ao cumprimento da lei e pela violência simbólica exercida pela sociedade.
Ao analisar o cerne da questão, vê-se que a discussão sobre cotas tem se tornado um assunto amplo. De acordo com a Constituição Federal, no seu artigo 6, afirma que todos têm direito à educação. Dessa forma, observa-se que as cotas veio para inserir todos no ensino superior, pois lastimavelmente a educação do ensino público é inferior à educação privada. Porém, observando a baixa qualidade do ensino público nota-se a ineficiência estatal em garantir o direito contido na Constituição.
Além disso, a omissão desses fatos pela sociedade e pelas instituições governamentais traz prejuízos para todo um corpo social. Conforme Pierre Bourdieu, a violação dos Direitos Humanos não consiste somente no embate físico, pois o desrespeito está sobretudo, na perpetuação de preconceitos que atentam contra a dignidade de um grupo social - é o que ele chama de opressão simbólica. Desse modo, observa-se a apatia da sociedade ante tal situação, exercendo a violência simbólica contra alunos que se encaixam nas cotas quando se pronunciam contra ou roubam as vagas destinadas às cotas burlando as regras.
Pela observação dos aspectos analisados, cabe ao Estado, como gestor dos interesses coletivos, criar mecanismos para que o direito contido na Constituição seja assegurado, por meio de maior disposição de cotas nas universidades federais e notas mais justas, a fim de melhorar essa incômoda situação e garantir a educação a todos. Somando a isso, compete à sociedade criar novos paradigmas éticos acerca desse problema, por meio de mobilizações nas redes sociais, com o propósito de acabar com a violência simbólica exercida pela sociedade. Sendo assim, a fala de Huxley, não mais fará sentido na sociedade brasileira.