Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 20/11/2020
A lei de cotas foi foi sancionada em 2012, e propõe o ingresso à unidades de nível superior para indivíduos que se autodeclaram pretos, pardos e indígenas, desde então, houve uma clara polarização de opiniões em meio a população. Se de um lado defendem que tal iniciativa colabora para a intensificação da desigualdade, por outro lado, há aqueles que afirmam a importância da mesma como forma de retratação de injustiças históricas. Diante de duas perspectivas diferentes, surge a necessidade de analisarmos as cotas pela ótica das minorias sociais citadas, para concluir se essa política representa inclusão ou retrocesso na questão racial.
O racismo estrutural no Brasil é uma herança dos tempos da escravidão colonialista, que afetou também os indígenas, e se manifesta quando a sociedade decide fechar os olhos para situações nas quais é clara a distinção de oportunidades entre as raças. Ignorar uma situação não fará com que ela deixe de existir, mas conscientizar-se sobre sua posição de privilégio e gerar oportunidades para que minorias sociais estejam em pé de igualdade com os demais, nas mais diversas áreas, é possibilitar um futuro mais justo e livre de preconceitos.
Partindo desse princípio, podemos afirmar que as cotas, como ações afirmativas, visam, sim, a inclusão e o não comodismo diante do fato de ainda haverem pessoas que se colocam em posição de superioridade racial diariamente. Segundo o sociólogo francês Émile Durkheim: o indivíduo só poderá agir na medida em que aprender a conhecer o contexto em que está inserido, a saber quais são suas origens e as condições de que depende. Contextualizando, entende-se que, na medida em que alguém se expõe às próprias origens e entende seu espaço no todo, mudanças são possíveis, e erros do passado podem ser evitados. Dessa maneira, não só as minorias sociais, mas o povo brasileiro como um todo, deveria unir-se, para que não só as cotas, mas outras políticas de inclusão tivessem eficácia garantida.
Portanto, faz-se imprescindível que o Estado intervenha, para que, desde cedo, crianças tenham acesso à própria cultura. Para tal, é necessário que o Ministério de Educação e Cultura (MEC), crie, por meio de verbas governamentais, políticas educacionais que as exponham à história do país, aos seus direitos e deveres, ensinando-as a desenvolverem pensamento crítico e inconformidade diante de situações de injustiças raciais. Somente assim, o racismo estrutural perderá sua força, e, enfim, haverá espaço no Brasil para gerações nas quais será possível observar uma situação mais igualitária.