Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 20/11/2020
O filosofo e sociólogo Karl Marx e o ativista político Martin Luther King Jr acertam ao declarar com firmeza que é preciso modificar o mundo. Um olhar à realidade fundamenta que viver em sociedade significa estabelecer propósitos que sejam coletivos, ou seja, não se pode dizer que o Brasil tenha uma democracia racial apenas por ser um pais de mestiços, alias, se o brasil é injusto no plano social, é ainda mais no racial. Nessa lógica, pode-se afirmar que a politica de cotas não são apenas justas: são razoáveis.
Em um primeiro enfoque, cabe ressaltar que a aplicação de critérios de mérito, em muitas instâncias da vida social, são truncados, quando não há igualdade de oportunidades para um contingente ponderável da população. O mais preocupante, contudo, é constatar que nas universidades, por exemplo, de acordo com o economista Luiz Carlos Bresser, há apenas 2% de negros estudantes e apenas 1% de negros docentes, embora eles constituam 45% da população brasileira. Como se vê, o regressismo brasileiro injetou a noção de que há igualdade de ensejos para todos.
Outro ponto, que precisa de olhar atento, é o fato de que, embora aprovados no vestibular com notas um pouco menores, os favorecidos das cotas tiveram desempenho médio superior em 31 dos 56 cursos analisados em um levantamento feito pela Unicamp. Vala ressaltar, ainda, que essas ações não ameaçam a ordem, apenas fazem avançar modestamente a justiça. Assim, fica claro que a seleção unicamente por mérito assegura a igualdade perante a lei, mas não dá acesso equitativo à educação.
É determinante, então, para desconstrução desse cenário que o Estado promova ações, como a melhoria da educação publica e afirmação das cotas nas universidades, para que os alunos possam concorrer de forma justa e seja reduzida a rejeição adicional ao negro pobre. Ademais, deve-se investir em medidas de percepção contra o racismo através de uma grade curricular com foco na inclusão e respeito às diversidades , a fim de tornar a sociedade mais justa e livre de preconceitos.