Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 25/11/2020
No filme “Estrelas Além do Tempo” é exposto a história real das primeiras mulheres negras a trabalharem na NASA em plena época de segregação racial no país. Fora da ficção, observa-se um quadro semelhante, no qual muitas pessoas negras também são as primeiras de suas famílias a entrarem na universidade graças as cotas. Nesse contexto, deve-se analisar como a política de cotas raciais faz parte do avanço na inclusão e do reparo das distorções sociais causadas pelos quase 300 anos de escravidão.
Primeiramente, é importante considerar o avanço ocorrido nas universidades públicas, isso porque, por meio de tais políticas as instituições conseguiram propagar o acesso ao ensino superior entre uma das populações mais discriminadas no país. Em pesquisa divulgada pelo IBGE, pela primeira vez na história os negros são a maioria nas faculdades públicas, cerca de 50,3%, todavia, só 30% ocupam cargos de comando. Em decorrência disso, nota-se que as cotas proporcionaram progressos porém sozinhas não podem agir.
Outrossim, o reparo das distorções sociais também tem a sua relevância. Isso porque mesmo após o fim da escravidão os cidadãos negros continuam a ocupar a margem da sociedade, em ênfase, são 75% da população pobre no país de acordo com dados divulgados pelo IBGE. Contudo, por meio das ações afirmativas podem ter a chance de mudar tal quadro pela educação. A exemplo se tem a entrevista feita pelo Jornal Nacional com um ex gari que foi o primeiro de sua família a entrar para a faculdade graças a tal oportunidade.
Portanto, fica evidente que as leis afirmativas raciais são essenciais no processo de inclusão e da criação de uma sociedade com mais equidade. Logo, cabe ao Poder Público incentivar e apoiar empresas e órgãos que visam aumentar a igualdade nos cargos ocupados, com o intuito de diminuir a defasagem entre cargos ocupados por negros e brancos. E o Governo Federal com apoio do Ministério da Educação deveriam desenvolver programas que visem trazer cada vez mais jovens para a educação com a finalidade de mostrar como o ensino pode mudar as dificuldades existentes.