Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 20/11/2020
Na obra “Utopia” de Thomas More, a sociedade é retratada como perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos. No entanto, a realidade é o oposto do que o autor prega, uma vez ainda existe o debate a respeito das cotas nas universidades serem de inclusão ou de retrocesso. Nesse contexto, a dívida histórica e a falsa meritocracia impactam diretamente nessa problemática.
Sobretudo, cabe a História desmembrar os frutos da escravidão. Em outras palavras, o Brasil perpetuou o modelo escravagista por mais de 300 anos, este sendo o responsável por milhões de mortes de indígenas e negros. Ainda por cima, após a abolição foi criada uma lei em 1937, que proibia o ingresso de escravos e negros africanos nas escolas. Por consequência, a desigualdade social/educacional só aumentou ainda mais.
Além disso, existe a equivocada ideia de meritocracia. Em 2018, o IBGE na Síntese de Indicativo Social, apontou que apenas 36% de alunos de escolas pública que completaram o ensino médio, ingressaram numa faculdade. No entanto, esse número sobe para 79,2% quando essa pesquisa é feita com estudantes recém-formados em escola particular. Inquestionavelmente, fica claro que nem todos possuem as mesmas condições, enquanto alguns passam o dia em cursinhos pré-vestibular, outros trabalham meio período para ajudar na renda familiar.
Portanto, a discussão sobre das cotas nas universidades não deveria ser uma pauta. Assim, depois da criação, em 2012, da Lei de Cotas para o Ensino Superior, é necessário que haja cada vez mais fiscalização do Poder Legislativo acerca de fraudes recorrentes no sistema de cotas. Ademais, são necessários maiores investimentos em bolsas socioeconômicas, para que alunos ingressantes dessa modalidade, não só entrem na universidade, mas tenham recursos para sobreviverem durante a graduação. Somente assim, a Utopia de More será alcançada.