Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 26/11/2020

Segundo o físico Albert Einstein, “A liberação da energia atômica mudou tudo, menos nossa maneira de pensar.” Análogoamente, é fato que, apesar do Brasil ter progredido na criação de  universidades, o país ainda é desigual no acesso à essas estruturas sociais. Para coibir essa situação, as cotas raciais e sociais foram criadas, assim, os alunos que sofrem preconceito e os de baixa renda podem ter acesso ao ensino. Entretanto, apenas o sistema de cotas é insuficiente para diminuir a desigualdade racial e social no ensino, devido não só a precariedade das escolas públicas, que falham em preparar os alunos, como também a deficiência em investimentos estatais no sistema público de ensino no Brasil.

Antes de tudo, é preciso afirmar que as cotas são um progresso na história brasileira, contudo, sem educação básica nesse país, as referidas encobrem brandamente a desigualdade do ensino. Infelizmente essa situação demonstra que  o direito à educação, proposto no 6° artigo da Constituição Cidadã, de 1988, não é cumprido devido à ineficácia de políticas públicas de apoio à educação. Consequentemente, o art. 3° da Constituição Federal, o qual  visa acabar com todo e qualquer tipo de discriminação, também fica como uma promessa para o povo brasileiro, que permanece em um sistema público de ensino fraco e possui como único apoio o sistema de cotas, muitas vezes insuficiente.

Em segundo plano,  o Estado é conivente com essas falhas contra os direitos da população, afinal,  ele é, em grande parte causador disso. Devido à falta de investimentos nas escolas brasileira, surge como consequência o sucateamento das escolas. Mas, apesar dos anos de estudo em uma negligênciada educação, os alunos, que estão desnivelados com as intituições particulares, tentam as universidades em busca de um futuro melhor.  Nisso conclui-se que o sistema de cotas, na atualidade, é a única esperança de jovens pobres e alvos de racismo para buscar uma vida digna, porém é óbvio que é necessário muito mais do que isso para que seja garantido a todos a igualdade educacional.

Portanto, é evidente que  para garantir uma educação igualitária no país, medidas precisam ser tomadas. Primeiramente, o Executivo, órgão estatal responsável pelo gerenciamento e execução de verbas e leis, deve enviar investimentos para capacitação dos professores, os quais, por meio desse dinheiro, poderão buscar cursos e melhorar suas didáticas, a fim de elevar a qualidade do ensino dentro de sala de aula. Segundamente o Legislativo, órgão que propõe as leis, deve criar leis que garantam o cumprimento integral dos artigos 6° e 3° da Constituinte, e, por meio de fiscais, todo o aparelho estatal passará a atuar contra a desigualdade e o racismo, a fim de coibi-lo no Brasil. Assim as populações pobres e as etnias que sofrem preconceito poderão ter acesso total ao ensino, e por fim, as cotas, em conjunto com todas essas medidas, ajudarão a renovar a maneira de pensar e viver da nação.