Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 24/11/2020

‘‘Viver bem é mais importante do que viver’’. Segundo Platão, a qualidade de vida tem tanta importância de modo que ultrapassa a da própria existência. Dessa forma, as cotas nas universidades surgem como meio que torna possível diminuir a desigualdade e vivenciar a realidade platônica. No entanto, em uma sociedade que não conhece o porquê, nem a importância de tais medidas, tal realidade torna-se utópica. Assim, o poder público e a desatualização do ensino contribuem para que a realidade descrita por Platão não seja vivenciada pelos brasileiros.

Mormente, é preciso dissertar sobre a influência que o poder público exerce no tema em foco. Nesse sentido, segundo a Constituição brasileira de 1988, é dever do Estado garantir que o cidadão possua um bom desenvolvimento físico e mental. Sendo assim, as cotas apresentam-se como opções para a diminuição da desigualdade social e meio que tem o dever de garantir o direito constitucional. No entanto, segundo o portal G1, o número de negros e de pessoas de baixa renda que concluem o ensino superior é inferior ao de brancos. Tal fato não tem ligação com a meritocracia, mas com o racismo que estrutura nosso país. É dever do Estado assegurar as cotas nas universidades, garantindo, com isso, o direito assegurado na Constituição.

Em segundo plano, é importante destacar a desatualização do ensino como corroboradora do desconhecimento da população em relação às cotas. Nesse horizonte, segundo o professor Paulo Freire, ‘‘uma sociedade sem educação é um ambiente estático’’. De maneira análoga, segundo a revista Superinteressante, é baixíssimo o número de escolas que educam politicamente o jovem, há o ensino padrão, em que se pratica o estudo dos cálculos matemáticos, por exemplo, mas não há o estímulo necessário para que o cidadão torne-se politicamente e socialmente ativo, reconhecendo os seus direitos. Logo, a desatualização do ensino torna o cidadão inativo, ou seja, a sociedade torna-se estática, um ambiente inapropriado para a prática dos direitos e deveres sociais.

Portanto, medidas devem ser tomadas para que o problema seja amenizado. Sendo assim, o Ministério da Educação, em parceria com o Poder Legislativo, deve modificar o ensino nas escolas brasileiras, a filosofia deve ter a carga horária aumentada, além disso, o ensino do sistema político brasileiro tem de estar presente em todas as instituições de educação do país. Tais mudanças seriam feitas por meio de alterações na legislação. Com isso, os cidadãos, independente da raça, seriam educados politicamente, as cotas seriam devidamente apresentadas, sua importância seria conhecida e a sua presença na sociedade estaria garantida.  Espera-se que, com isso, a realidade platônica deixe de ser utópica.