Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 21/11/2020
Historicamente, o Brasil enfrenta problemas sociais e raciais. Sabe-se que uma das medidas governamentais tomadas com o fito de amenizar essas questões foi a implantação de cotas nas universidades, as quais facilitam a entrada de minorias no ensino superior. No entanto, tal medida apresenta-se como um retrocesso do ponto de vista educacional e social e, devido a isso, medidas devem ser tomadas, a fim de resolver essa problemática.
De fato, a implementação de cotas sociais, apesar de diminuir as diferenças econômicas e oferecer oportunidades, não deve ser uma medida definitiva e contínua. Sabe-se que há, no país, um grande abismo de qualidade de ensino entre escolas públicas e privadas. Nesse sentido, a competição para entrada em universidades entre esses dois grupos torna-se injusta e desigual. Entretanto, é certo que a melhor solução para esse problema não seria as cotas, pois elas não atuam na causa da questão, mas sim um maior investimento na qualidade de ensino. Em relação a isso, os últimos resultados da Prova Brasil, realizada pelo Inep, constatam que a maioria dos estudantes de escola pública chegam ao ensino médio não sabendo fazer nem cálculos básicos nem redação. Dessa maneira, mesmo que, com as cotas, esses alunos ingressem na universidade, eles enfrentarão grandes dificuldades no ensino superior, as quais podem estagná-los pela deficiência no ensino básico e médio.
Além disso, as cotas raciais, embora reduzam as diferenças entre “raças” no ensino superior e no mercado de trabalho, também não se fazem a melhor medida. Entende-se que não há desigualdade de capacidades entre brancos e negros, o que existe, na realidade, é uma diferença educacional, a qual não oferece para os negros condições de competir de forma igual, pois, se as tivessem, conseguiriam por mérito próprio. Com efeito, ao contrário do que propõem as cotas, elas acabam gerando uma tensão entre as “raças” e uma ampliação do racismo,pois põem em evidência a cor da sua pele, em vez se seu esforço, trabalho e valor humano. Um exemplo disso acontece na submissão desse grupo a uma comissão verificadora,caso aprovados,a qual avaliará,pela textura dos cabelos,cor dos olhos e grossura dos lábios, se a pessoa é negra ou não, e se ela tem o direito de estudar ou conseguir um emprego.
Fica claro, portanto, que a implementação de cotas é um retrocesso social, pois mantem a péssima qualidade de ensino público e evidencia a cor como um fator meritório. Para mudar essa realidade, cabe ao Governo Federal investir em políticas públicas educativas, por meio da ampliação dos recursos destinados ao Ministério da Educação, o qual melhorará a qualidade de ensino, com uma melhor infraestrutura das escolas, e de professores, a fim de diminuir as desigualdades no ingresso ao ensino superior e descartar a necessidade de cotas sociais e raciais.