Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 21/11/2020

Segundo Aristóteles, filósofo grego, “a educação tem raízes amargas, mas os seus frutos são doces”. Desse modo, as cotas não são as soluções para o problema estrutural no sistema educacional brasileiro, pois elas reafirmam o racismo e a desigualdade social. Logo, a cota não é inclusiva, sendo primordial analisar a real origem da discrepância de alunos nas universidades públicas e resolver esse grave problema, pois a educação move uma nação e inicia a diminuição dos problemas sociais.

A priori, de acordo com o economista, crítico social e filósofo, Thomas Sowell, na obra Ação Afirmativa ao Redor do Mundo, as pessoas tendem a desconfiar de negros em suas profissões por acreditarem que eles possam estar ali apenas por entrarem na faculdade através de cotas. Portanto, o racismo enraizado na sociedade acaba sendo reafirmado com a presença das cotas, trazendo prejuízo para a população negra, pois não há nenhuma distinção intelectual e de qualquer natureza entre brancos e negros, como prevê a Constituição Cidadã de 1988, a dificuldade de acesso à universidade, trata-se do descumprimento do governo com seu dever de fornecer ensino de qualidade.

Outrossim, o sistema educacional brasileiro incentiva e aumenta a desigualdade, pois o maior investimento é feito no ensino superior, e o básico, sendo o mais importante para os negros e pobres, recebe menos investimentos. O que é corroborado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), indicando que o ensino superior no Brasil recebe 4 vezes mais dinheiro em relação ao básico. Dessarte, o problema estrutural não está na cota da universidade, mas sim na alfabetização e na educação em si, tornando a cota apenas uma solução imediatista e não definitiva, pois também de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais da metade dos brasileiros com 25 anos ou mais, não concluíram a educação básica, então essas pessoas não podem usufruir das costas sem estarem com o diploma escolar.

Destarte, é mister haver mudanças na base da educação, fornecendo um ensino de qualidade e preparatório para o ingresso de estudantes negros e pobres na universidade, sem o uso de cotas. Dessa maneira, o Ministério da Educação deve alterar a proporção de investimentos, não esquecendo do superior, mas focando principalmente no básico, construindo mais escolas em regiões periféricas, contratando professores com salários dignos, fornecer material didático de qualidade, oferecer aulas de reforço, aulas próprias para o ENEM e com simulados para uma maior preparação. Além disso, é necessário que após essas mudanças, haja uma constatação na melhoria educacional, sendo de tão qualidade quanto uma privada, e o Congresso Nacional retire o sistema de cotas. Logo, a discrepância na educação e no conhecimento diminuirá, colhendo os frutos doces, como disse Aristóteles.