Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 22/11/2020
Na obra “Sobre o Autoritarismo no Brasil”, a historiadora Lilia Schwarcz expõe a tese histórica e sociológica acerca da violência enraizada historicamente na sociedade brasileira. Assim, destaca-se a opressão velada e estrutural que permeia o tecido social, sobretudo, obstáculos para os corpos excluídos de participarem de diversos campos, como o universitário. Nesse âmbito, é preciso compreender o preconceito histórico de classe, assim como a importância das cotas para amenizar essa problemática. Em primeira análise, destaca-se o imaginário nacional e sua estruturação histórica. Nesse sentido, de acordo com o sociólogo Jessé Souza, as relações de classe na sociedade brasileira possuem como gênese a institucionalização da violência contra os corpos descartáveis e marginalizados. Assim sendo, o racismo estrutural, extermínio físico e histórico de povos indígenas e a desigualdade econômica são mecanismos que legitimam e produzem a opressão de classe, impedindo, dessa forma, a mobilidade social e o acesso desses corpos ao ambiente acadêmico. Nesse contexto, pensar em uma universidade ampla, democrática e plural, perpassa por problematizar esses aparelhos segregadores e romper com essa subjetividade histórica. Ademais, é imprescindível pensar nos meios institucionais para facilitar o acesso dessas populações à academia. Dessa forma, a democracia, apesar de suas limitações, tem como constituinte basilar o caráter de isonomia, isto é, reconhecer os integrantes das sociedades como iguais, sem distinção de etnia, credo ou classe econômica. Contudo, inseridas em um contexto de subjetividade pautada nas relações de classe, as instituições democráticas brasileiras perpetuam o preconceito estrutural, portanto, apenas as cotas não são suficientes para sanar essas falhas sistemáticas. Nessa perspectiva, ampliar e manter esses mecanismos, como as cotas, é essencial para amenizar os efeitos dessa problemática.