Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 22/11/2020

“Sério és, tema da faculdade em que não pode por os pés”, esse é apenas um dos versos da música “Boa Esperança”, do cantor Emicida, em que retrata a indignação com o fato do ensino superior ser quase que utópico para as populações pobres. No Brasil, as cotas sociais servem para incluir os jovens de escolas públicas nas universidades, no entanto, com os alunos menos preparados põe-se em risco a qualidade da pesquisa e do ensino acadêmico. Nesse sentido, vale analisarmos as principais causas, consequências e uma possível solução para o problema.

A priori, convém ressaltar o quanto a falta de qualidade no ensino básico prejudica o jovem universitário. Ao entrarem na Universidade, os cotistas se deparam com uma rotina diferente, com disciplinas difíceis na qual, muitas vezes, não possuem um conhecimento básico. A exemplo disso, as universidades públicas, como a federal do Ceará, possuem disciplinas básicas com o objetivo de concertar a defasagem de seus alunos, como matemática básica e pré-calculo. Desse modo, é inadmissível que em um país membro pleno da ONU, a educação básica da rede pública esteja tão atrasada em relação ao ensino particular.

Ademais, as dificuldades dos jovens cotistas com as disciplinas não significa um fracasso das cotas sociais, pois segundo um estudo da UERJ em parceria com a Unicamp, os beneficiários de políticas afirmativas têm 2% a mais de aprovações nas disciplinas, em relação aos que entraram pela ampla concorrência. Isso se deve, principalmente, pelo fato desses alunos se dedicarem mais aos estudos, mesmo com as dificuldades do ensino básico. Nesse contexto, precisamos, urgentemente, de melhorias na preparação  dos pré-universitários de escolas públicas.

Portanto, os governos estaduais, por meio da parceria com cursinhos especializados em enem e vestibulares, devem criar preparatórios para alunos de escolas públicas, com a análise de renda para dar prioridade aos mais carentes. Espera-se, com isso, que os futuros universitários cotistas tenham a sua defasagem escolar atenuada com uma melhor preparação.