Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 26/11/2020

As cotas surgiram como uma proposta do governo para prevenir e combater os preconceitos, visando diminuir a desigualdade social e promover a inclusão, dando oportunidade dos indivíduos das classes mais carentes, ascenderem socialmente, por meio da formação profissional, a qual muitos não teriam acesso sem o auxílio das cotas. Tal proposta é uma forma de inclusão que deve ser mantida e apoiada no Brasil, já que ela é um meio de combater a desigualdade social, o preconceito e a segregação racial, que são injustiças tão presentes no país.

Cabe destacar que a colonização brasileira foi marcada fortemente pela escravidão, e após sua abolição não foram realizados programas de inclusão desses cidadãos no mercado de trabalho, os deixando a marguem da sociedade. Tal realidade reduziu as oportunidades de muitos indivíduos, pois por terem condições de acessar apenas o ensino público, o qual é de baixa qualidade, chegam despreparados para um vestibular, o que torna injusta a competição com os alunos de escolas particulares pelo ingresso em uma universidade. As cotas tornam essa competição mais justa, pois separam um parcela das vagas para alunos de escolas públicas.

Adjacente a isso, com a escravidão a maior parte da população de país, a qual é negra ou parda foi segregada, vivendo nas periferias, com baixa qualidade de vida e oportunidades profissionais, o que contribuiu para o surgimento do racismo. Tais indivíduos são a maioria da população, mas são considerados minorias sociais, pois sofreram as injustiças históricas e continuam em desvantagem em relação a grupos privilegiados. As cotas são uma forma deles obterem maior representatividade no meio acadêmico, consequentemente no meio profissional e político, ocupando cargos superiores na sociedade e combatendo assim o preconceito e o racismo desenvolvidos por uma sociedade desigual.

Portanto, é evidente que o programa de cotas é benéfico para a inclusão social. Visto isso, é necessário que as universidades, como instituições que têm o objetivo de formar jovens instruidos, tanto profissionalmente quanto socialmente, realizem campanhas que conscientizem os alunos à respeito da importância social das cotas, para isso devem mostrar dados que comprovem a inclusão, como a pesquisa do IBGE que afirma que os alunos pardos e negros correspondem à 50,3% das matrículas de 2019, visando com isso desenvolver e propagar na sociedade a aceitação desse programa, por meio da compreensão do seu significativo papel social, que é reduzir os preconceitos e a desigualdade por meio do fornecimento de oportunidades de educação a todos os setores sociais.