Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 22/11/2020

“Sempre teve colégio militar para filho de militar - isso é cota, sempre teve pensão pra filha de militar, mesmo casada - isso é cota, sempre teve atendimento especial para os filhos da fazendeiros, a cota do boi”. Nesse viés, a fala do documentário “Entenda a importância das cotas”, do Canal Preto, retrata que historicamente as cotas sempre existiram, porém são bem aceitas somente entre os níveis sociais mais abastados financeiramente. Assim, de maneira análoga ao documentário aludido, as cotas mostram-se como um elemento fundamental de inclusão, pois proporcionam um maior ingresso da população negra no curso superior e são uma forma de reparar o boicote educacional histórico feito com os negros.

Mormente, aumenta exponencialmente a quantidade de negros no curso superior no Brasil, em função da implementação das cotas. Nesse sentido, o verso “Nas universidades brasileiras apenas 2% dos alunos são negros”, da música “Capítulo 4, Versículo 3”, do grupo Racionais, foi feito em 1997 e retratava a situação atual da população negra em relação a extrema dificuldade de entrar na faculdade. Analogamente, segundo o Ministério da Educação (MEC), entre 2003 e 2014, aumentou em 178% o número de negros nas instituições federais. Logo, frente ao trecho musical e ao dado supracitado, nota-se que as cotas foram fundamentais para modificar o panorama de inópia de afrodescendentes na faculdade, pois elas resguardam determinada quantidade de vagas para eles, permitindo que sempre exista a presença de negros na instituições de curso superior no Brasil.

Ademais, a reserva de determinada quantidade de vagas serve como uma tentativa de reparo de uma privação educacional histórica. Sob esse prisma, em 1837, foi sancionada uma lei que proibia as pessoas negras de frequentar as escolas públicas. Hodiernamente, segundo a professora e doutora da Universidade de Brasília (UNB), Edileusa de Souza, um dia após a assinatura da Lei Áurea, na Paraíba, um grupo de mulheres e homens negros foram reivindicar educação para os seus filhos. Com isso, é notório que as cotas nas universidades são essenciais para mitigar os impactos colossais causados por séculos de privação educacional com os afrodescendentes, em razão de uma política escravocrata cruel que vigorou na república federativa do Brasil por aproximadamente quatrocentos anos.

Portanto, ações fazem-se necessárias para terem mais negros na faculdade. Para que a população tenha consciência da problemática, urge que o Ministério da Cidadania, por meio de verbas governamentais, reserve 50% das vagas das instituições federais para afrodescendentes. Dessa forma, os negros terão um amplo acesso ao curso superior. Somente assim, o quadro atual será sanado, evitando uma inferiorização da cota semelhante a retratada em “Entenda a importância das cotas”.