Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 22/11/2020
Devido a sua natureza histórica, o ser humano, durante toda a sua história, dependeu de seus relacionamentos para viver em sociedade e, assim, transformar o mundo. Essa transformação se dá devido ao fato de que o homem é um animal social, como já dizia Aristóteles, e pode-se afirmar, na atualidade, que a sociabilidade entre os indivíduos encontra-se apartada entre os brancos e pretos, sendo esses últimos integrantes de grande parte da população do Brasil e vítimas do preconceito facínora que ainda assola o corpo social do século XXI e marginaliza a participação desses sujeitos em diversos âmbitos da sociedade, como, por exemplo, nas Universidades.
Em primeiro lugar, discute-se muito sobre a questão da dívida histórica do Brasil e, sim, é de extrema necessidade uma reparação histórica, tendo um grande potencial de se voltar para as ações afirmativas nas Universidades públicas e privadas de todo o país. Essa necessidade se apresenta como uma forma de retratar-se por conta da escravidão mais longeva que ocorreu no Brasil e, mesmo após sua abolição, todas as comunidades de pretos, pardos e indígenas ficaram marginalizadas da sociedade e permanecendo sem direitos de políticas públicas.
Um outro fator estridente relacionado às cotas é a questão das cotas sociais que são essenciais, visto o abismo existente entre as escolas públicas e particulares que fornecem oportunidades distintas aos estudantes de condições sociais diferentes. Assim, sem as cotas para os estudantes de classes sociais menos favorecidas, as vagas nas Universidades públicas e privadas continuarão sendo preenchidas por candidatos com melhor poder aquisitivo, perdurando a exclusividade para os ricos e brancos.
Sendo assim, é muito visível o contraste na acessibilidade de pessoas brancas e pretas ao ensino superior no Brasil. Posto isso, o Ministério da Educação deve fortalecer ainda mais as ações afirmativas por meio de investimentos, com o objetivo de abranger ainda mais as vagas. Ademais, o mesmo órgão pode formular mais campanhas de conscientização, por intermédio da mídia, a fim de evidenciar a importância das cotas sobre a redução do preconceito e, consequentemente, fortalecer o caráter de integração das políticas de inclusão sobre o ensino superior, garantindo, assim, o papel de integração das cotas e evidenciar a importância de conhecer a desigualdade como legado da escravidão, seus reflexos na sociedade e a necessidade de reparação histórica