Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 22/11/2020
Apesar de se destacar como potência econômica mundial, o Brasil enfrenta uma problemática arcaica: o racismo estrutural e a deficiente inclusão de jovens negros em universidades públicas. Vale elucidar que as algemas do preconceito tem origem na escravidão, iniciada no Brasil no século XVI, tendo seu término tardio em 1888, com a Lei Áurea, que aboliu a escravidão mas não integrou a população negra na sociedade, acarretando na construção cultural errônea de interiorização do negro.
É indispensável salientar que o surgimento das cotas origina-se da segregação racial, evocando que a pobreza exarceba essa segregação. Logo, o sistema de cotas nas universidades são inclusivos, pois visam a diminuição de desigualdades. Este tema serviu de repertório para a cantora brasileira Bia Ferreira, que compôs a música “cota não é esmola”, descrevendo nesta, toda trajetória de uma mulher negra para ingressar em uma universidade, enfatizando o racismo, a pobreza, a desigualdade e a segregação.
É irrefutável que a inclusão dessas minorias sociais avoluma consideravelmente melhores oportunidades, cabendo ressaltar que estudos universitários mostram um melhor desempenho de alunos do sistema de cotas. É incontestável que, pela primeira vez o número de alunos negros ingressantes em universidades públicas seja equivalente ou superior ao número de ingressantes brancos. É o início de uma evolução tardia.
Em face a essa realidade, é poerio acreditar que as cotas seriam um retrocesso histórico, tendo em vista o rastro de sangue de ancestrais escravizados. Decorrente do processo evolutivo desde 1888, é inconcebível a incapacidade de inclusão social, visando políticas de proteção aos negros, bem como integrando os mesmos nos meios de ensino. Aristóteles teceu a frase “a educação tem raízes amargas, mas seus frutos são doces”. Analogamente, é necessário que o Estado intervenha em prol da educação, fortalecendo a importância das cotas e paralelamente melhorando o ensino público no Brasil. Tendo executado essas medidas, o Brasil se consolida como potência educacional mundial.