Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 27/11/2020
Em 1888, o Brasil aboliu a escravidão, outrora, não deu nenhum apoio aos ex escravos. Estes, migraram para favelas e, por consequência, foram marginalizados. O etnocentrismo histórico é uma dívida do Estado com indivíduos que sofrem os resquícios da abolição, e as cotas raciais-sociais é uma maneira de diminuir tamanha desigualdade social.
Primeiramente, é impossível estabelecer um sistema meritocrático em um lugar que não há igualdade de oportunidades. Segundo o sociólogo Jessé Souza, a escravidão é o que define a sociedade brasileira. Contudo, a admissão dos negros em universidades ainda é inferior aos brancos, dados da UFFG, mostram que somente 35% dos alunos da instituição são negros. Atrelado a isso, ainda há muitas fraudes quando se trata de autodeclaração, e nem todas faculdades possuem banca examinadora.
Outrossim, é necessário buscar a equidade entre todos os estudantes e isso jamais será um retrocesso. Segundo dados do IBGE, 36% dos alunos que completaram o ensino na rede pública não entraram em uma faculdade, e 79% dos alunos que tiveram ensino em escolas privadas, ingressaram na universidade. Ademais, os grupos são divididos entre estudantes que têm privilégios sociais e os que não têm. No entanto, atualmente, a maior admissão à universidade pública é do aluno que teve acesso ao ensino privado, o que é um grande paradoxo.
Em vista do exposto, é imprescindível a tomada de medidas para o entrave mencionado. Por isso, concerne ao Estado, mediante o Ministério da educação, orientar as faculdades a criarem bancas examinadoras com métodos eficientes para analisarem todos alunos cotistas em todas faculdades públicas. Este, deve investir em um ensino de boa qualidade para todos indivíduos que usufruem da rede pública. Logo, não haverá fraudes de alunos que não são cotistas e o acesso à universidade pública será igual para todos indivíduos, por conseguinte, o Brasil desprenderá das amarras que a escravidão deixou.