Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 23/11/2020

As cotas são advindas dos Estados Unidos, elas foram criadas em 1960 com o intuito de diminuir a segregação social. Analogamente, no Brasil, após mais de trezentos anos de escravidão e vinte e um de regime militar, que resultaram em um atraso na educação da população preta e pobre, foi criada em 2012 a Lei das Cotas que deveria funcionar como uma balança, onde os alunos de escolas públicas e privadas tivessem o mesmo peso na hora do ingresso em uma instituição de ensino superior. Entretanto, ainda existe uma grande resistência à lei anteriormente citada.

Nesse âmbito, a questão da desigualdade entre pessoas pobres, negras, indígenas e LGBT, comparados aos brancos ricos, não baseia-se apenas em preconceito, uma vez que muitas delas precisam, por exemplo, escolher entre trabalhar ou estudar por uma simples questão de sobrevivência. Esse fato expõe ,de forma gritante, à negligência e falta de auxílio sofrida pela população de baixa renda, por parte do Governo. Logo, é possível perceber que apesar das épocas da escravidão(1538-1888) e do regime militar (1964-1985) terem passado, a exclusão social continua enraizada no Brasil.

Em contrapartida, a questão das cotas no Brasil vem sendo utilizada apenas como um “band aid”, camuflando buracos existentes no falho sistema público de educação do país. Nesse sentido, é possível perceber que a cultura de superioridade da raça branca, não deixou de ser cultivada no Brasil, ela apenas foi “maquiada” com um sistema que jamais melhorará o ensino, apenas permitirá que uma pequena parcela da população menos favorecida tenha acesso às universidades e concursos públicos, fornecendo uma falsa propaganda de que o sistema educacional brasileiro é acessível a todos.

Dessarte, é indiscutível que a única saída para um problema tão grave é uma iniciativa do Ministério da Educação, em parceria com o Governo Federal, visando investimentos em escolas públicas, fornecendo transporte aos que moram muito longe, lanches e almoço, um auxílio durante todo o curso, para que o salário desse estudante não faça falta na hora de quitar as contas da sua casa e distribuição de cestas básicas para as crianças. Assim, não seria necessário ceder vagas a alguns, pois o nível de conhecimento entre os candidatos seria o mesmo. Outra medida deveria ser a padronização da grade curricular do ensino médio, visto que as escolas privadas dão um suporte muito maior aos seus alunos, o material didático fornecido e as estrutura das escolas são incomparáveis aos das instituições públicas. Dessa forma, os alunos concorrerão de forma igualitária em exames como, por exemplo, o Exame Nacional do Ensino Médio-ENEM.