Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 23/11/2020

Durante a Revolução Francesa, a luta pela igualdade, fraternidade e liberdade marcou esse movimento na história, uma vez que a nobreza e o clero tinham total controle social-econômico, sendo que os negros e pobres não possuíam nenhuma perspectiva de ascensão social, pois os estudos e os meios sociais não eram acessíveis para todos. Nesse contexto, não tão distante, encontra-se o Brasil, em que a grande maioria dos indivíduos inseridos nos meios acadêmicos são homens, brancos e com um relativo poder econômico, sendo que negros e pobres são minorias participantes dos meios universitários em que ocorre, infelizmente, devido não só à negligência governamental, mas também à deturpada concepção da sociedade.

Inicialmente, a Constituição de 1988 garante igualdade jurídica e propostas de medidas sociais que possam atenuar a desigualdade social e de oportunidade no Brasil, todavia, os poderes Executivo e Legislativo não cumprem com essas obrigações constitucionais. Segundo Aristóteles, a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos, porém esse ideal filosófico encontra-se questionado no país, pois o ínfimo investimento do governo em medidas políticas que possam consolidar a participação das minorias nas universidades é precária, além de ampliar as cotas para negros nos meios acadêmicos, uma vez que esse grupo social foi escravizado, humilhado e explorado por séculos no Brasil.

Além disso, a errônea concepção da sociedade com tudo que é “diferente” do ideal de cidadão é uma construção histórica no país. Durante o Brasil Império, foi criado as primeiras universidades, porém era exclusiva para homens, brancos e da alta hierarquia social, sendo que as teorias eugênicas influenciavam a sociedade. Logo, por séculos, principalmente os negros eram excluídos das escolas e eram tidos com inferiores e incapazes de aprender e obter cargos de importância na sociedade. Assim, as cotas são fundamentais para um progresso social, uma busca por igualdade.

Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para resolver esse impasse. Cabe ao Ministério da educação criar um projeto nas escolas e nas  universidades, por meio de palestras e atividades sobre a importância da inclusão social dos negros e nos meios acadêmicos , além de ampliar o número de vagas das cotas raciais e financeiras para que um maior contingente de cidadãos possam ter a oportunidade de ingressar nas universidades, a fim de que toda comunidade escolar, por conseguinte, conscientizem-se . Espera-se, com isso, que todos os indivíduos possam ter as mesmas oportunidades e possa existir uma meritocracia verdadeira no Brasil.