Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 23/11/2020

O filósofo Florestan Fernandes foi um dos responsáveis por desmistificar a ideia de “democracia racial” que vigorava no Brasil durante a década de 1950. No entanto, mesmo atualmente, ainda há uma parcela significativa da população que tende a relativizar o racismo no Brasil. Entretanto, a falta de estudantes não brancos nas Universidades Federais fez com que fosse necessária a adoção de medidas afirmativas para inclusão de pretos, pardos e indígenas nos espaços acadêmicos.

Primeiramente, cabe ressaltar o pensamento do filósofo Thomas Hobbes, o qual diz que o Estado é o responsável por garantir e assegurar o bem estar da população. No entanto, após a abolição da escravatura, em 13 de maio de 1888, não houve nenhuma política pública para auxiliar os negros a se inserirem na sociedade, o que resultou na população negra sendo jogadas à marginalidade, tendo consequentemente menos oportunidades quando comparadas a classe hegemônica. Nesse sentido, as cotas raciais mostram-se uma medida efetiva de inclusão de não brancos em espaços que se caracterizam pela elitização, como é o caso das universidades, promovendo assim, uma maior possibilidade se ascensão social.

Em contra partida, é necessário pensar em cotas raciais como uma medida paliativa, uma vez que ela não resolve o cerne do imbróglio. A raiz do problema está no racismo estrutural intrínseco a sociedade brasileira, e a falta de representatividade de negros, em espaços como universidades é, na verdade, um reflexo disso. Por se tratar de um racismo velado, a população não enxerga seu racismo e, tampouco, se esforça para mudar.

Portanto, pode-se perceber que apesar de não serem perfeitas, as cotas são sim benéficas. Ademais, para atenuar o problema do racismo estrutural é necessária a mobilização de diferentes orgãos governamentais, tais como Ministério da Educação e Ministério da Cultura  para tornar a representatividade e oportunidades da população negra cada vez maior, dessa forma não brancos poderão ter mais espaço para mostrar suas habilidades que por tanto tempo a população se recusava a enxergar. Dessa forma, se estará mais perto de um dia o Brasil poder finalmente viver em um democracia racial.