Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 24/11/2020
Um dos maiores direitos conquistados pela humanidade desde a Antiguidade Clássica é o direito à educação. Entretanto, nem sempre esse direito é plenamente garantido, visto que, muita injustiça social, cultural e econômica impedem que as pessoas tenham liberdade e igualdade educacional. Para tanto, criou-se o sistema de cotas nas universidades com o intuito de equiparar todos os extratos sociais e todas as raças. Logo, essa política de ação afirmativa tem o objetivo de corrigir desigualdades, mas pode retroceder no que diz respeito ao preconceito enraizado a longo prazo.
Primeiramente, as cotas sociais são importantes e necessárias para diminuir as diferenças entre o ensino público e privado. No entanto, não deve ser encarada como única solução para resolver o problema. Segundo a OCDE ( Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o Brasil investe quatro vezes mais em educação superior em detrimento da educação básica. Portanto, facilitar a inclusão resolve parte da problemática, o restante é imprescindível que saia dos cofres públicos e da capacidade de gerir escolas públicas, municipais e federais com a devida qualidade no ensino.
Por outro lado, de acordo com Thomas Sowell ( economista e liberal norte-americano), " O projeto de cotas raciais é o maior fracasso para as raças". Para o escritor, na tentativa de incluir brancos, pretos, e pardos, o próprio sistema de seleção acaba diferenciando-os e impulsiona cada vez mais o preconceito. Em outras palavras, a separação por meio da cor da pele é ineficaz, já que existe negro privilegiado, estudante de boas escolas privadas e em contrapartida, branco que pela falta de qualidade do ensino público e falta de recursos financeiros, necessitam de ajuda para ingressar em universidades. Além disso, com o passar do tempo a desconfiança e a intolerância tende a crescer, uma vez que as pessoas são diferenciadas de acordo com a capacidade e as facilidades no processo de ingresso.
Diante disso, fica evidente que as cotas são importantes para agregar a população, porém, não deve ser encarada como única forma possível e muito menos categorizar as pessoas por intermédio da cor. Com efeito, os principais precursores da mudança são o governo federal e as instituições educacionais e econômicas. Dessa forma, deve-se investir dinheiro em educação de qualidade, privilegiar o ensino básico com maior auxílio profissional e monetário proporcional, eliminar as cotas raciais e utilizar campanhas publicitárias para incentivar os estudantes das mais variadas cores e etnias à estudar sem segregar. Em síntese, somente com políticas públicas será possível incluir a sociedade sem retroceder e garantir que a conquista do direito à educação seja efetivo.