Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 24/11/2020

Há muito se comenta a respeito do sistema de cotas nas Universidades. Acerca do assunto, acredita-se que embora seja algo difícil de ser discutido, tanto as cotas raciais quanto as cotas de escola pública têm seus preceitos baseados em fatores históricos e sociais. Desta forma, ao observar diversos fatores, traz-se para debate dois casos extremamente importantes ao analisar essa abordagem: o caso da dívida histórica para com as populações indígenas e negras e as dissidências existentes entre os ensino das escolas públicas e particulares.

Assim, no primeiro caso, vale a pena ressaltar os quinhentos anos de escravidão no Brasil, a superexploração dos índios e dos negros para alavancar o crescimento dos engenhos açucareiros durante o sistema colonial. Por isso, a questão das cotas é o mínimo - de muitas coisas - que se pode oferecer a essas populações que foram dizimadas e animalizadas para que o Brasil viesse a ser o que hoje o é. Isto, não exclui os acontecimentos que se transcorreram, mas torna o país mais inclusivo, afastando-se das atitudes coloniais.

Ademais, quando o assunto é o tipo de ensino, é indiscutível o fato de que as escolas privadas têm vantagem sobre as públicas, uma vez que a primeira além de ter uma infraestrutura melhor, materiais melhores, ainda permanece funcionando enquanto as escolas governamentais param inúmeras vezes no ano por conta de greves e problemas estruturais. Ou seja, os alunos “não cotistas” saem sempre na frente no quesito “estudo” por obterem uma base mais sólida e completa.

Portanto, conclui-se que é necessário que a Sociedade brasileira livre-se do senso comum preconceituoso com relação às cotas e passe a olhar a situação com empatia, colocando-se no lugar daqueles que tiveram seus antepassados mortos durante o sistema colonial e daqueles que passam meses em casa esperando pela volta às aulas, que muitas vezes para na metade do ano letivo por falta de materiais e professores. Desse modo, tem-se um país mais harmônico e tendendo a práticas mais igualitárias, respeitando as diferenças territoriais.