Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 26/11/2020

Em conformidade com o filósofo Pierre Lévy, os avanços da humanidade demonstram o distanciamento dos grupos invisibilizados perante a tecnologia, o qual provoca a exclusão social. Sob tal ótica, percebe-se a importância de ações inclusivas, como as cotas nas universidades, diante de desenvolvimentos na sociedade, as quais promovem um acesso democrático ao conhecimento e, também, reduz a disparidade populacional. Contudo, é nítida, ainda, a abundante desigualdade do acesso a uma formação universitária na atual conjuntura brasileira, devido ao preconceito histórico acerca de núcleos vulneráveis, como os negros e os indígenas.

De início, cabe ressaltar a relevância das cotas acadêmicas, enquanto veículos de popularização da didática, para a coletividade que preza por igualdade. Quanto a isso, o sociólogo Jurgen Habermas expressa que o respeito apenas é efetivado quando a inserção de outrem é plenamente realizada. Diante do exposto, é certo que as cotas estudantis visam somente o bem-estar coletivo, tendo em vista a minimização dos entraves dos desemparados, como a promoção da equidade e da capacitação igualitária para o mercado de trabalho, de maneira a auxiliar os excluídos no que se refere aos seus problemas sociais, a saber, o racismo e a diferença socioeconômica. Destarte, compreende-se que as políticas afirmativas são essenciais para a justiça na comunidade desproporcional do Brasil.

Por outro lado, é evidente que a concepção histórica do preconceito gera uma divergência quanto às cotas, a qual permeia a marginalização de pessoas sob o ensino superior. Vinculado a essa concepção, na colonização do Brasil, entre os séculos XVI e XIV, o tráfico negreiro e a escravidão influenciaram um viés excludente na comunidade, fato que mantém a ausência da popularização da razão para as minorias no contexto vigente. Nessa perspectiva, as ações afirmativas são questionadas em razão da ótica elitista da educação, já que tal entendimento retrógrado destaca, erroneamente, a meritocracia como mecanismo de alcance à igualdade, a qual não é encontrada na desigual conjuntura brasileira da atualidade. Então, providências são fundamentais para mitigar as mazelas supracitadas.

Faz-se imprescindível, portanto, medidas promovam as cotas nas universidades, enquanto ferramentas inclusivas, no Brasil. Logo, compete ao Ministério da Educação democratizar o conhecimento para a população, por meio de projetos socioeducativos amplos e abrangentes, que serão consentidos pelo poder público, a fim de proporcionar uma ingressão democrática às universidades para as minorias. Além disso, é dever do subsistema educacional eliminar a visão preconceituosa no que diz respeito às cotas, mediante aulas de sociologia com profissionais pedagógicos, com o intuito de extinguir o pensamento excludente e reduzir a segregação no Brasil.