Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 24/11/2020
. O jogo “Life is Strange” mostra a vida de uma jovem que ganhou uma bolsa para estudar no ensino superior e tornou-se, por isso, uma grande artista na área da fotografia. Paralelo ao game, hoje, muitos indivíduos, marginalizados pela sociedade, necessitam de medidas para ascender socialmente e entrar nas faculdades. Nesse contexto, é válido ressaltar o papel das cotas para promover a inclusão das classes desprivilegiadas nas universidades, já que o Brasil possui uma forte discriminação, presente de modo velado, e é detentor de uma enorme desigualdade social.
Em primeiro plano, é importante salientar o modo discriminatório com que as relações sociais ocorrem no País. Nesse aspecto, o conceito de Mito da Democracia Racial advém do pensamento de Gilberto Freyre, pois, segundo o sociólogo, no Brasil, por ser um país miscigenado, o racismo existiria de forma mais branda. No entanto, isso contribuiu para velar as relações desiguais estabelecidas, uma vez que os negros e indígenas constituem a menor parte dos universitários. Consequentemente, medidas afirmativas tornam-se uma das poucas soluções para encarar o problema racial.
Ademais, a enorme desigualdade existente no Brasil é outro fator que dificulta a ascensão das minorias. De acordo com o princípio aristotélico de Igualdade, “deve-se tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na medida de sua desigualdade”, isto é, precisa-se de medidas próprias para reverter as diferenças. Analogamente, as cotas se tornaram as rápidas soluções para facilitar o ingresso das classes marginalizadas nas universidades. Por isso, é imprescindível a manutenção de ações que visem garantir o direito de acesso à educação, previsto na Constituição de 1988.
Destarte, medidas devem ser tomadas para que a discrepância entre as classes, presentes no ensino superior, seja revertida. Para isso, o Ministério da Educação deve criar um projeto educacional, por meio de investimentos na reforma de escolas públicas e a contratação de professores qualificados, de maneira a melhorar, a longo prazo, a qualidade do ensino ofertado pelo Governo, ao nível das instituições particulares, além de aumentar, momentaneamente, as cotas das universidades. Sendo assim, o intuito de tais medidas é possibilitar que, futuramente, haja igualdade para entrar nas faculdades e, até lá, ações afirmativas, como bolsas e cotas, atenuem as atuais desigualdades. Logo, os direitos das minorias serão atendidos e a discriminação não será mais um problema contemporâneo.