Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 30/11/2020
De acordo com a Lei de Cotas, uma porcentagem das vagas das universidades deve ser reservada a certos grupos, visando diminuir as desigualdades. Porém, esse sistema gera discussões, já que muitos acreditam que ele viola a meritocracia. No entanto, as cotas devem ser protegidas, pois representam a inclusão de grupos desfavorecidos e, nesse sentido, uma visão distorcida a respeito do conceito de meritocracia agrava o impasse.
Primeiramente, é preciso compreender que não há mérito quando todos os concorrentes a uma vaga em uma universidade não têm as mesmas condições ou não tiveram as mesmas oportunidades. Logo, é injusto que alguém que estudou em escola pública concorra à mesma vaga que outro que estudou em escola particular, visto que o ensino privado é de maior qualidade, e é injusto que uma pessoa negra tenha que concorrer com uma branca em um país racista como o Brasil.
Nesse viés, há dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que comprovam a desigualdade entre esses grupos no ingresso à universidades: apenas 36% dos alunos que completaram o ensino médio em escolas públicas em 2018 entraram para universidades, contra 79,2% dos alunos da rede privada; e em 2017, somente 33,4% dos pretos e pardos que terminaram o ensino médio conseguiram entrar para a faculdade, enquanto 51,5% dos brancos conseguiram.
Portanto, enquanto essas desigualdades existirem o sistema de cotas será necessário, já que promove mais igualdade entre os concorrentes e garante maior respeito aos direitos humanos. Sendo assim, o governo federal deve promover maior fiscalização nas universidades, com o objetivo de garantir que a lei está sendo cumprida e essas cotas, preenchidas e, assim, garantir mais igualdade entre diferentes grupos para que, então, a meritocracia seja possível.