Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 27/11/2020

Sêneca, pensador do Império Romano, acreditava que apenas as percepções das pessoas sobre o meio eram responsáveis por alterar o estado de tranquilidade mental da sociedade. Posto isso, contesta-se a notoriedade populacional diante da problemática inclusiva no âmbito acadêmico. Com efeito, reestruturações educacionais e governamentais são medidas impostas como necessárias para que as cotas nas universidades sejam vistas como ações inclusivas justas para a manutenção da harmonia social.

Inicialmente, é válido ressaltar o desconhecimento da população acerca da Carta Magna como fator determinante para tornar válida a ideia da cota como algo retrógrado. De acordo com uma pesquisa feita pelo “Data Senado”, cerca de 50% dos brasileiros entrevistados admitiram saber nada ou muito pouco acerca da Constituição Federal. Desse modo, é possível constatar que, a partir da divergência social e a não sabedoria dos devidos direitos apresentados na teoria, a existência das injustiças se torna oculta e, por isso, a imprescindibilidade das cotas universitárias são vistas como irrelevantes. Afinal, tal sistema foi aplicado como atitude reparatória aos preconceitos e às desigualdades ainda vigentes no Brasil, um país democrático. Então, nota-se a importância das escolas administrarem aulas destinadas ao ensino básico da Constituição, formando estudantes e, sobretudo, cidadãos cientes das múltiplas realidades sociais.

Outrossim, é imprescindível mencionar a alarmante concentração de renda nacional, fato impulsivo da aplicação de cotas de renda. Segundo o “El País”, portal de notícias, quase 1% da nação detêm mais de 30% da economia nacional. Dessa forma, torna-se notória a repercussão indireta que esse poder econômico tem sobre a educação do indivíduo. Ademais, a consequente aprovação do vestibular, pois, infelizmente, os colégios particulares, em sua maioria, são os que possuem o melhor ensino no país, visto a regularidade de aulas, o suporte tecnológico e a boa infraestrutura, os quais são negligenciados pelo Governo, que, muitas vezes, atrasam o salário dos professores do Estado, como rotineiramente é apresentado em jornais televisivos, por intermédio de protestos.

Portanto, evidenciam-se condutas importantes para que as cotas das universidades sejam aceitas como intermediador inclusivo. Por conseguinte, o Ministério da Educação deve, por meio de uma reunião com os governadores estaduais, promover alterações no currículo escolar das regiões, a fim a tornar os alunos mais conscientes dos próprios direitos garantidos pelo Estado e a importância das medidas protetivas aplicadas, principalmente, no âmbito educacional para o progresso das igualdades sociais. Assim, mediante elencado por Sêneca, a sociedade terá percepções mais abrangentes do espaço e, com isso, será mais ativa em defesa da justiça.