Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 24/11/2020

Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa o sistema de cotas, hodiernamente, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pela ineficiência governamental, seja pela lenta mudança na mentalidade social dos Brasileiros. Nesse sentido, convém analisarmos as principais consequências de tal postura negligente para a sociedade.

É indubitável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do problema. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, o desinteresse por parte do governo em melhorar o ensino público, rompe essa harmonia, haja vista à precariedade de escolas e a desqualificação dos professores, fazendo com que os alunos não tenham uma preparação adequada, assim, encontrando dificuldades para ingressar no ensino superior, devido ao seu alto grau de complexidade.

Ademais, destaca-se a lenta mudança na mentalidade social como impulsionadora do problema. De acordo com Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se uma enorme reprovação por parte da população no que diz respeito as cotas, colocando-as como desnecessárias, e esquecendo de sua real importância que visa desconstruir preconceitos já enraizados na sociedade.

É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à construção de um mundo melhor. Destarte, faz-se necessário que o Tribunal de Contas da União, direcione capital que, por intermédio do Estado, será revertido em verbas para a qualificação dos professores das redes municipais e estaduais, bem como a oferta de novos cursos de aprimoramento, fazendo com que alunos de baixa renda, e aqueles que não tem um preparo adequado, possam ter as mesmas oportunidades que os alunos do ensino privado. Como já dito pelo  pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e essas mudam o mundo. Logo, o Ministério da Educação (MEC) deve instituir, nas escolas, palestras e conversas, que discutam a importância da inclusão social, a fim de que o tecido social se desprenda de certos tabus para que não viva a realidade das sombras, assim como na alegoria da caverna de Platão.