Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 27/11/2020

Em “O Cortiço”, livro de Aluísio de Azevedo, é retratado, usando a teoria do determinismo biológico, a parte da sociedade brasileira que ao longo dos anos foram marginalizadas. Fora da literatura, o Brasil vive cada vez mais uma situação de desigualdade e os descendentes daqueles historicamente  marginalizados ainda sofrem para atingir o sucesso. Por isso, as cotas são uma ferramenta de inclusão de extrema importância para igualar o ensino das escolas públicas, extremamente precárias, com as escolas particulares e assim, ajudar pessoas economicamente carentes a alcançarem objetivos que normalmente não conseguiriam.

O sistema de cotas é uma ferramenta imediata para que os estudantes de escolas públicas tenham as mesmas oportunidades que aqueles que estudam em escolas privadas. Na atual constituição é previsto que a educação é um direito universal e essencial, mas está cada vez mais evidente que os últimos governos não têm tomado medidas eficientes para que isso se concretize. Muitas escolas públicas estão em decadência e os estudantes, o futuro do país, não têm recebido a chance de alcançar o seu potencial. Em paralelo ao livro “Modernidade Liquida” de Zygmunt Bauman, é como se o Brasil, enquanto governo, fosse uma “Instituição Zumbi”, ou seja, aquele estado  que perde toda a sua função social, se tornando inoperante. Logo, por agora é imprescindível que as cotas sejam inseridas no ingresso a universidade, como um remendo, até que a educação como um todo - do fundamental até o ensino médio - sejam reparadas por completo, garantindo melhores chances para todos os cidadãos.

Junto disso, o sistema de cotas é uma grande ajuda para aqueles que precisam batalhar muito até para as coisas mais básicas, como comer. Muitos estudantes tem que trabalhar além de estudar, o que faz com que o seu objetivo de passar na faculdade (principalmente pública) pareça um sonho distante. Então as cotas, junto com reformas na educação, fazem com que esses alunos se sintam motivados a ir atrás do ensino superior e do emprego e consequentemente tenham uma melhor qualidade de vida. Evitando assim a crescente evasão escolar que, segundo o IBGE em 2019 era aproximadamente de 7,6% de jovens entre 15 e 17 anos.

Concluí-se então que o MEC deve promover melhorias no sistema educacional público brasileiro, com reformas nas escolas e melhores salários aos professores. Além de que o sistema de cotas deve ser mantido e palestras devem ser dadas para que todos saibam dos seus direitos. Para que assim, todos os brasileiros recebam uma boa educação e, principalmente a igualdade de oportunidades levando-nos a um país melhor e mais inclusivo.