Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 25/11/2020

Durante o Segundo Reinado no Brasil, precisamente no ano de 1888, foi assinada pela princesa Isabel a Lei Aurea, que colocava um fim na escravidão negra que marcou a história do país desde a chegada dos portugueses. Embora, a abolição tenha sido um grande marco para a liberdade e igualdade, a população afrodescendente não foi incluída de forma verdadeira na sociedade, mantendo-se um preconceito velado que gera discriminação e falta de oportunidades à eles, atualmente a sociedade tenta de diversas formas pagar a dívida histórica que tem com  os negros, as cotas raciais são um exemplo de medida tomada para tentar igualar as oportunidades, e são de grande importância pois combatem a falsa meritocracia e ajudam no ingresso nas universidades públicas.

Primeiramente, segundo o filósofo Zygmunt Bauman, a sociedade em que se vive atualmente é marcada por relações líquidas, devido ao individualismo crescente que a globalização e os avanços tecnológicos condicionam. Portanto, essa visão individualista fomenta um discurso meritocrático que é incoerente com a realidade, pois as oportunidades para determinados grupos são muito menores devido a fatores históricos e culturais, como a população negra no Brasil, que sofre diariamente com o preconceito, é de maioria periférica e não não tem acesso muita das vezes a um ensino de qualidade e mesmo quando o possui não frequenta um ambiente saudável devido à discriminação.

Ademais, o ingresso de negros nas universidades públicas é de fundamental importância, pois esse é um espaço marcado por uma maioria branca, o que não condiz com a realidade já que a maioria da população brasileira é preta e parda. O seriado ¨Todo mundo odeia o Chris¨, apesar de se passar nos Estados Unidos, representa como é o preconceito quando um jovem negro esta em um espaço que é de maioria branca, apesar da série trazer essa discriminação em um tom mais exagerado, as faculdades federais e estaduais brasileiras representam um ambiente hostil para o negro periférico, já que é um ambiente elitizado, estigma que pode mudar por meio das cotas.

Portanto, as cotas definitivamente são uma grande forma de inclusão, portanto, para diminuir o discurso da falsa meritocracia pregada por alguns grupos e dar oportunidade a mais pessoas, cabe ao governo federal em conjunto com estados e municípios manter a política de cotas sociais e raciais, além de ampliar ela pra mais áreas, por meio de acordos com empresas privadas, que disponibilizem mais vagas para grupos discriminados. Além disso cabe as universidades públicas em conjunto com a mídia estimular o uso das cotas para criar um ambiente que se assemelhe à realidade dentro das faculdades, com pessoas de todas as cores e classes convivendo juntas nesse espaço.