Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 25/11/2020
O racismo é um preconceito que sempre se fez presente na sociedade brasileira, é uma construção cultural herança da colonização luso-espanhola. O europeu não soube conviver com o diferente e atestava que indígenas eram bárbaros e negros inferiores, instaurando o regime escravista no Brasil. No período pós-abolição nenhum processo de inserção do negro foi feito no país e, como consequência, até os dias hodiernos, é difícil para pretos ascenderem economicamente. Com o intuito de promover a necessária integração desse grupo, uma das ações criadas foi o sistema de cota nas universidades, o qual busca inclusão e diminuir a desigualdade no acesso ao ensino superior da população.
A priori, é preciso desmistificar a falácia da meritocracia a qual usa como justificativa que, alunos menos preparados obtém acesso aos melhores centros universitários ferindo o sistema meritocrático e colocando em risco a qualidade e o nível acadêmico das pesquisas. Além de ser um argumento preconceituoso, estudos feitos pela Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) e pela Unicamp (Universidade de Campinas) apontam que o desempenho de alunos cotistas é superior ao atingido pelos demais estudantes.
Sob outro ponto de vista, é mister destacar o processo de sucateamento do ensino público brasileiro. Desde os primeiros anos na escola até o ensino médio, o sistema comum não tem comparação com a iniciativa privada; sendo as principais diferenças a infraestrutura e a pedagogia. Entretanto, escolas particulares estão bem longes da realidade da maioria da população brasileira, devido à desigualdade socioeconômica. Sendo assim, as cotas aplicam-se também nesse contexto com a mesma finalidade de atenuar a disparidade em questão.
Portanto, com os argumentos apresentados, faz-se necessário a adoção de medidas exequíveis para a resolução de tal problemática. O governo federal deve, por meio do Ministério da Educação, melhorar a qualidade do ensino a fim de realizar a vital integração dos negros. A melhoria pode ser feita através do repasse de verbas que já ocorre, evoluindo as escolas públicas com tecnologias mais modernas para sua infraestrutura e didática.