Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 25/11/2020
No ano de 2020, após a morte de George Floyd, um homem negro inocente que foi assassinado por um policial branco nos Estados Unidos, o movimento Black Lives Matter se espalhou por vários países, em uma manifestação contra o racismo. Nesse contexto, políticas afirmativas, como as cotas, apesar de ainda dividir opiniões, são de extrema importância para a sociedade brasileira, principalmente em um panorama de discrepância entre ensino público e privado, além também da questão racial.
A priori, vale a pena ressaltar que existe uma grande diferença entre escolas públicas e escolas particulares, tanto na qualidade do ensino, como na infraestrutura e materiais utilizados pelos alunos. Segundo um levantamento realizado pelo MEC (Ministério da Educação), considerando 10% das escolas com as maiores notas no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) de 2017, cerca de 82% eram escolas particulares, e, ainda, as escolas que tiraram as menores notas são todas públicas. Essa desigualdade faz com que a maioria dos alunos que conseguem chegar nas universidades federais são os que tiveram oportunidades. Desse modo, os estudantes menos privilegiados ou resolvem abandonar os estudos e não ingressar no ensino superior, ou ainda escolhem um curso com menores notas de corte e se tornam profissionais infelizes com sua profissão.
Em segundo lugar, a exploração de negros africanos no Brasil desde o início da colonização portuguesa deixou marcas profundas na cultura e sociedade brasileira. Por muito tempo, acreditava-se que o racismo não existia, pensamento esse reafirmado por sociólogos como Gilberto Freyre, com sua teoria da mestiçagem. Depois da libertação dos escravos em 1888, ainda assim, essas pessoas não tiveram nenhum apoio ou medida que os ajudasse, foram proibidos por muito tempo de frequentar escolas e universidades. Atualmente, como medida reparatória, as universidades utilizam do sistema de cotas para que pelo menos 50% dos estudantes sejam negros, pardos ou indígenas, dessa maneira, eles possam vir a ter oportunidades que antes não seriam possíveis.
À luz disso, é de extrema necessidade que medidas sejam feitas para diminuir a desigualdade, tanto social como racial no Brasil, para que no futuro, assim, as cotas não sejam mais necessárias. Logo, o Tribunal de Contas da União deve direcionar capital que por intermédio do Ministério da Educação, seja revertido em uma reformulação do sistema de ensino público no país, melhorando a estrutura das escolas, distribuindo livros e outros materiais para todos, além da criação de laboratórios e oficinas voltadas para ciência, podendo assim atrair a atenção e incentivar os alunos a estudar. Dessa maneira o impacto nocivo da divergência entre a população poderá ,enfim, ser superado.