Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 25/11/2020

Durante o período da abolição da escravidão no Brasil em 1988, a população negra liberta não recebeu auxílio ou reparação histórica, persistindo excluída de direitos sociais. Nesse ínterim, esta problemática persiste, tendo em vista a disparidade na qualidade de ensino ao qual as vítimas dessa marginalização são submetidas, fazendo-se necessária a utilização de cotas como agente atenuante dessa mazela social. Esse cenário antagônico é fruto tanto da concentração de renda, quanto da falta de investimento na educação pública.

Precipualmente, é fulcral pontuar que a desigualdade de renda no Brasil, coíbe na perpetuação da segregação social, que dificulta o acesso às universidades pela parcela mais pobre. De acordo com o Índice de Gini, que mede o grau de concentração de renda em uma escala de 0 a 1, o Brasil se encontra mais próximo ao um, evidenciando-se como um país desigual. Como resultado, o âmbito acadêmico tende a ficar mais restrito à uma pequena fração da população, a qual detém maior poder aquisitivo.

Ademais, é imperativo ressaltar a negligência sofrida pelo setor educacional público, o que contribui para a desvalorização do ensino. Segundo o educador Paulo Freire, se a educação sozinha não transforma o mundo, sem ela tampouco a sociedade muda. Dessarte, torna-se crucial proporcionar escolas com infraestrutura e professores qualificados, para que assim seja possível a redução da miséria por meio da extensão da oportunidade pedagógica, visando a entrada de um maior contigente nas universidades públicas.

Portanto, para tornar o meio universitário mais incluso em conjunto com as cotas, medidas precisam ser tomadas. Faz-se necessário, pois, que o Tribunal de Contas da União direcione capital, que por intermédio do Ministério da Educação, será revertido em melhorias na estrutura das escolas públicas, bem como o aumento de professores especializados para ministrar aulas, buscado uma maior equidade de ensino entre as escolas públicas e privadas, para que assim a população marginalizada tenha igualdade de oportunidade de adentrar o meio acadêmico.