Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 30/11/2020

O apoio às ações afirmativas no Brasil são fundamentais para a busca da inclusão e o estabelecimento pleno do bem-estar coletivo. Nesse contexto, é perceptível que as cotas direcionadas aos negros e ao público de baixa renda são reflexos de uma sociedade pautada na desigualdade, uma vez que nem todos têm oportunidades de estudo de qualidade, evidenciando uma “mutilação” da cidadania. Essa necessidade de ações afirmativas é reforçada, ainda, pela pouca garantia de transformação que o precário sistema de ensino oferece, fato que obstaculiza a igualdade ao acesso do ensino superior.

Em primeiro lugar, é importante compreender que as cotas visam proporcionar um acesso mais equitativo à educação. Segundo o Geógrafo Milton Santos, em seu texto “Cidadanias Mutiladas”, a democracia é uma estrutura cultural fundamental para o respeito da adversidade e, só é efetiva quando atinge a totalidade do corpo social, ou seja, na medida em que os direitos são universais e desfrutados por todos os cidadãos. Desse modo, as ações afirmativas são necessárias não somente para garantir o  cumprimento dos direitos sociais, mas também para integrar grupos que são desfavorecidos pelas desigualdades. Reflexo dessas disparidades são os dados do Relatório de Desenvolvimento Humano, os quais afirmam que o Brasil está entre os dez países mais desiguais do mundo, o que reforça a necessidade de cotas para que todos tenham oportunidade de ingressar em faculdades públicas.

Ademais, essa desigualdade social é reforçada também pelas diferenças da educação pública e privada, o que dificulta a entrada de muitos em faculdades de qualidade. Nesse contexto, devido à pouca presença de uma educação vanguardista , como ressalta Paulo Freire, muitas escolas têm negligenciado seu papel de formar indivíduos de modo integral, tornando-os críticos e reflexivos para exercerem seu papel de cidadania, além de capacita-los para entrar um uma boa faculdade. Consequentemente, com o acesso desigual a educação, muitos por não fazerem parte da camada ‘‘privilegiada’’ da sociedade, não conseguem ingressar em um ensino superior, sendo imprescindível o uso de ações afirmativas para incluir todos os cidadãos através de um ensino de qualidade.

Portanto, a fim de promover a perpetuação das ações afirmativas no Brasil, é necessário que o atual sistema de ensino estimule uma formação cidadã ampla, por meio de estratégias psicopedagógicas, como oficinas e peças teatrais, uma vez que proporcionam vivencias diversificadas, visando evitar a potencialização de uma educação conteudista e sem criticidade, a qual forma indivíduos alheios e apáticos a importância de valorizar as cotas para a inclusão de todos nas universidades, independente de sua classe social ou raça. Tais estratégias de ensino devem também fornecer uma melhor educação para os alunos de escola publica, objetivando, assim um acesso mais igualitário ao ensino superior.

A partir disso e considerando que o verdadeiro fator de segregação no Brasil é a pobreza, já que são os alunos de escolas públicas os prejudicados pelo desnível na educação pública e particular, sugere-se a adoção de cotas sociais como uma alternativa mais abrangente.Nenhuma dessas alternativas, no entanto, solucionaria as desigualdades no acesso ao ensino superior da população brasileira. É necessário melhorar a qualidade de ensino no Brasil, abrangendo e beneficiando a todos os aluno