Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 30/11/2020
Meritocracia: é, resumidamente, um sistema que beneficia quem se esforça mais, ou seja, aquele que mais, e melhor, se dedicar é recompensado de alguma forma. Isso é tido como verdade em situações que as pessoas têm as mesmas oportunidades e os mesmos acessos, um ambiente muito diferente do Brasil, onde existe desigualdades estruturais econômicas, raciais e sociais. Para lidar com esses problemas, foram constituídos mecanismos, como as cotas nas universidades, que visam combater essas desigualdades.
Contudo, fazendo uma analogia a medicina, isso seria remediar um sintoma, e o que deve ser feito é o tratamento da doença. Entretanto, existem argumentos contra esse tipo de política pública -cotas- como por exemplo, que essas medidas vão integrar pessoas desqualificadas nas instituições públicas, que perderiam o prestígio. Pensamento preconceituoso, e como o filósofo Confúsio disse “Não corrigir nossas falhas é o mesmo que cometer novos erros”.
Todavia, estudos da UERJ e UNICAMP (Universidade Estadual do Rio de Janeiro e Universidade de Campinas) refutaram esse tipo de argumento, pois mostram que o desempenho médio dos alunos que utilizaram cotas é melhor do que a média dos demais. Um exemplo disso é que 49% dos cotistas, no 1º semestre, foram aprovados em todas as matérias, em comparação aos 47% dos que ingressaram pelo sistema regular. No entanto, esse mecanismo é passivo de falhas, como ocorreu na Universidade de Brasília, onde dois irmãos gêmeos se declararam pardos e um não foi aceito como pardo, esse fato mostra que essa política precisa de mecanismos mais eficientes.
Sendo assim, entende-se que, pela história do Brasil, o Estado precisa lidar com uma sociedade que nunca teve igualdade de oportunidade, e, segundo Aristóteles, deve-se tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, isto é, o sistema de cotas precisa continuar enquanto não é ofertada uma base de qualidade para toda a sociedade. Dessa forma, se faz necessário a atuação do Ministério da Educação na melhoria do ensino público, e o problema, mais uma vez, é estrutural, pois, muitas vezes, o mesmo professor que leciona em escola pública, também dá aula em instituições privadas. Isso mostra que é preciso que haja investimento em infraestrutura, e também uma reavaliação do planejamento escolar -feita também pelo Ministério da Educação- para democratizar uma educação pública de qualidade, dando estrutura para que os jovens, em um futuro de médio prazo, passem a não precisar de cotas para o ingresso no ensino superior público, pois ter um ensino básico de qualidade é a cura de uma das doenças hereditárias que a sociedade brasileira é herdeira.