Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 30/11/2020

Pouco se discute acerca dos entraves que assolam o país, sobretudo, os relacionados a cota nas universidades. Promulgada em 1988, a Constituição Federal garante a todos os  indivíduos o direito à educação e bem-estar social. Contudo, observa-se a problemática da falta de infraestrutura escolar  e deficit de ensino nas instituições públicas. Dessa forma, o contexto da desigualdade educacional entre escola pública e privada têm servido de palco para a consolidação do retrocesso do direito duramente conquistado. Diante disso, convém analisar como a ineficiência do ensino público e a exclusão dos negros influenciam no ingresso nas faculdades.

Faz-se, em um viés primordial oportuno salientar como a ineficiência do ensino público evidencia-se na prática. Nessa perspectiva, é notório a contradição ao pensamento do filósofo Thomas Hobbes, que atribui ao Estado a responsabilidade de promover condições iguais e dignas à população. Nesse sentido, é perceptível que a disparidade de ensino entre público e privado prejudica no processo seletivo, visto que a qualidade de ensino publico é precária e favorece determinadas classes sociais. Desse modo, a ausência de mecanismos para melhorar a grade curricular de escolas públicas e proporcionar o acesso a uma universidade  afeta no desempenho escolar dos alunos. Assim, a falta da educação de qualidade impede que os estudantes confirme o ingresso que garante a melhoria de vida dos vulneráveis.

Sob um prisma secundário, é imperioso ressaltar como a exclusão dos negros apresenta-se. Proclamada em 13 de maio de 1888, a princesa Isabel assinou a lei Áurea, que aboliu a escravidão no Brasil. Entretanto, não houve uma política de integração dos negros pela população, o que possibilitou a perpetuação do preconceito até os dias atuais. De maneira análoga, fica explícito  que o preconceito social é a causa da exclusão dos negros das universidades, já que a educação nas escolas é negligente para esses alunos. Logo, vê-se que apesar da cota os negros são desfavorecidos, em consequência da má formação escolar que não permite sua graduação nas universidades públicas.

Mediante à ótica supramencionada, torna-se essencial promover mecanismos para aprimorar o panorama vigente. Para isso, cabe ao Governo Federal, por intermédio do Ministério da Educação, responsável pela formação acadêmica da população, investir na reforma das instituições públicas, contratar professores qualificados para ministrar as aulas e profissionais para aperfeiçoar a grade curricular , por meio de concursos públicos, a fim de proporcionar uma educação de qualidade e o ingresso nas universidades. Além disso, que a mídia faça campanhas de inclusão social para os negros. Sendo assim, a população  aproximar-se-á do direito que a Constituição Federal assegura.