Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 26/11/2020
A abolição da escravidão africana no Brasil, ocorrida em 1889, não foi acompanhada de uma política de inclusão social dos negros, culminando em uma desigualdade estrutural histórica. Para minorá-la, foram criadas as cotas nas universidades, garantindo o acesso deste público a uma porcentagem das vagas ofertadas. Entretanto, existem pontos de vistas divergentes sobre esta ação, relacionando-as a efeitos de inclusão e retrocesso social.
Inicialmente, é importante destacar que a promoção das cotas universitárias promove o aumento dos negros especializados para o mercado de trabalho. Isso é necessário pois, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a porcentagem de brancos, com até 25 anos, que possuem ensino superior completo é de 23%, enquanto, para os negros, esta proporção é de 9%. Tal cenário justifica o menor acesso deste público aos cargos especializados nas empresas, demostrando a importância desta política como ferramenta de inclusão profissional.
Por outro lado, existe a defesa de que este sistema representa um retrocesso, visto que o público selecionado possui uma defasagem educacional em relação aos demais. Porém, tal ideia não se sustenta uma vez que, de acordo com o pesquisador Jacques Wainer, a comparação das notas do ENADE (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) destes dois públicos não apresenta diferenças significativas no percentual de acertos. Tal resultado, além de fragilizar o argumento negativo relacionado à ação, fortalece a sua contribuição para a inclusão profissional dos negros.
Portanto, fica claro que o programa de cotas nas universidades é essencial para diminuição da desigualdade racial no país. Por isso, é necessário que o Ministério da Educação promova a conscientização da população sobre sua importância e efeitos positivos na sociedade. Tal medida poderá ser viabilizada por meio da divulgação, em canais televisivos, “outdoors” e redes sociais, de estatísticas que demonstram a evolução dos dados de inclusão dos negros nas universidades e mercado de trabalho. Dessa forma, espera-se que, no médio prazo, haja uma efetiva inclusão social deste público e a promoção de uma sociedade justa.