Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 27/11/2020
A construção de feudos - muros que delimitavam uma determinada área no período da Idade Média - segregou milhares de pessoas e impossibilitou o acesso aos bens que somente a nobreza podia usufruir. Semelhante a essa época, no contexto brasileiro, as cotas nas universidades são um dos inúmeros meios de democratizar a educação, mas ainda é “feudalizado”, já que grande parte da população continua alheia a esses serviços devido ao preconceito racial e à desigualdade econômica. Destarte, é necessário analisar os fatores que fazem desta realidade uma problemática contemporânea.
Deve-se pontuar, de início, que o preconceito racial é um dos fatores limitantes para a democratização da educação nas universidades. Na célebre pintura “A Liberdade guiando o povo”, de Delacroix, é possível observar o sentimento compartilhado de uma identidade coletiva que busca a igualdade, fortalecendo-se, no Brasil, na forma de ações afirmativas - cotas raciais - em busca que equidade para as minorias, principalmente na área educacional. No entanto, o pré-julgamento baseado na raça de um indivíduo continua em níveis elevados, ocasionando, portanto, um retrocesso devido à ascensão dos mais favorecidos em decorrência dos menos favorecidos.
Por conseguinte, vale ressaltar, ainda, que as instituições públicas de ensino brasileiras não fornecem o devido amparo inclusivo econômico aos jovens. De acordo com a filosofia política de Aristóteles, o governante da nação deve priorizar o bem comum, em detrimento de si próprio, uma vez que está incluído em um meio social, entretanto, nota-se que a educação brasileira ainda não é prioridade do Governo, devido à ausência de investimentos para a infraestrutura do ambiente educacional e intelectual para a formação os jovens inseridos nas escolas públicas. Dessa forma, nota-se grande desarmonia com a política aristotélica, já que as ações afirmativas não abrangem apenas uma pequena parcela da população prejudicada.
Portanto, é indispensável efetivar medidas que desenvolvam a realização da política de cotas nas universidades como forma de inclusão. Com isso, o Ministério da Educação deve incluir na grade de seus investimentos a infraestrutura educacional e a eficiente formação intelectual para professores e alunos com aulas práticas e campanhas específicas, como, por exemplo, debates e o aprendizado da Constituição sobre os instrumentos de participação e engajamento para além do voto afim de evitar greves, preconceitos e incentivar os alunos a adentrarem na universidade de forma justa e equitativa. Somando-se, o Poder Executivo deve garantir a devida fiscalização das leis, para que, dessa forma, o Brasil seja não um lugar feudalizado, mas um país democrático e evoluído