Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 27/11/2020
No livro “Triste fim de Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto, o protagonista goza de uma imagem extremamente otimista do Brasil que, na opinião dele, necessitava de apenas alguns ajustes para tornar-se uma nação desenvolvida. Fora da literatura, na contemporaneidade brasileira persistem desafios que dificultam a ascensão do país, dentre eles destaca-se a dificuldade de acesso ao ensino superior. Contudo, existem esforços que atenuam esse impasse como, por exemplo, a política de cotas nas universidades, entretanto, o assunto gera polêmicas e atritos na sociedade brasileira, isso ocorre por fatores não apenas sociais, mas também históricos da pátria.
Primeiramente, é imperioso destacar as origens sociais desse imbróglio. Na obra “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo, o autor demonstra, por meio das mudanças comportamentais dos personagens, como o ambiente social em que os indivíduos estão imersos é capaz de orientar os seus comportamentos e pensamentos. Assim sendo, ao inserir esse raciocínio para a sociedade brasileira, que está extremamente polarizada em diversos aspectos como na política, religião, sexo e cor, compreende-se que em outras esferas sociais também haverá dualismos, e isso atinge a política de cotas. Porém, apesar de todo esse cenário, é irrefutável que a Constituição Federal defende o acesso à educação e, a partir disso, as cotas servem como instrumento para efetivar o anseio constitucional.
Outrossim, deve-se considerar a matriz histórica dessa problemática em torno das cotas. O sociólogo Jessé Souza, em “A Elite do Atraso”, demonstra como a construção histórica do Brasil foi demarcada por certos espaços que eram quase exclusividade das classes sociais mais altas, um desses ambientes era a Universidade. Sem embargo, a política de cotas nas universidades possui ,como um dos seus objetivos, dar acesso às pessoas de todas as classes sociais à academia e, com isso, diminuir as desigualdades sociais presentes no país.
Depreende-se, portanto, ser mister iniciativas que promovam a política de cotas nas universidade do Brasil. Em primeiro lugar, o Ministério da Educação, aliado à Secretaria de Educação de cada um dos Estados, poderia promover palestras, aulas e debates em escolas públicas e privadas, com o objetivo de demonstrar, desde a tenra idade, a importância de se ter a política de cotas nas universidades, e o valor que isso possui no combate a desigualdade social. Ademais, o Poder Executivo Estadual, estudaria a concessão de incentivos fiscais para emissoras de TV e Rádio, que colocassem propagandas disseminando a essencialidade das cotas no Brasil. Com tais medidas, as discussões acerca das cotas diminuiriam, assim como as desigualdades sociais do país, tornando, assim, o Brasil mais próximo da nação desenvolvida almejada por Policarpo Quaresma.