Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 27/11/2020
Durante o período colonial brasileiro, a coroa portuguesa cedeu diversos privilégios e pedaços de terra aos colonatos, imigrantes europeus que embarcariam para a nova terra com o objetivo de cuidar e de usufruir economicamente dela. Adjacente à essa realidade, o tráfico negreiro trazia negros africanos para serem escravizados nos engenhos brasileiros. Desse modo, hodiernamente, a gestão pública nacional tenta minimizar as desigualdades construídas historicamente, criando programas de inclusão social, por exemplo, as cotas. Logo, cabe entender de que maneira a ineficiente gestão pública e o individualismo coadunam-se para o agravamento dessa problemática.
A priori, vale salientar a omissão governamental e os seus entraves para a resolução dessa temática. Segundo Aristóteles, a função do Estado é garantir o bem-estar e o equilíbrio social por meio da justiça. Porém, ao analisar que o Brasil ocupa a 10ª posição no ranking mundial de desigualdade social, conforme o site G1, vê-se a deturpação do ideal aristotélico. Nesse espectro, evidencia-se os ineficazes mecanismos de inclusão social do país, uma vez que uma mínima parcela da sociedade conseguirá ascender economicamente sem o auxílio governamental e a grande parte da comunidade nacional enfrentará as mazelas da marginalização grupal.
Outrossim, é válido ressaltar o forte individualismo presente no tecido social. Nesse panorama, de acordo com o sociólogo Bauman, o mundo contemporânea passa por um momento de modernidade líquida, no qual a falta de alteridade encontra-se no cerne desse período. Nessa perspectiva, o indivíduo, detentor de privilégios sociais, torna-se omissivo diante da exclusão coletiva, por não ser afetado por ela. Por conseguinte, cria-se um organismo social inibidor e selecionador de oportunidades, haja vista que os ocupantes de uma posição afortunada possuíram mais mecanismos para adentrar em concursos públicas, faculdades públicas, etc.
Depreende-se, portanto, que medidas sejam tomadas para mitigação dessa temática. Nesse víeis, é imprescindível que o Ministério da Educação, em parceria com as instituições privadas, realizem um programa, por meio da oferta de bolsas para seleção dos inscritos, no qual serão obrigadas a ofertarem um número mínimo de bolsas por semestre, a fim de ampararem os alunos mais frágeis financeiramente. Ademais, seria mister que Organizações Não Governamentais manifestam-se, a partir de palestras e campanhas midiáticas, a importância dos mecanismos de inclusão social para a população brasileira, com o fito de construir cidadãos conscientes dos resquícios históricos que levaram a criação de tais programas. Assim, será possível constituir um sistema social, em que políticas afirmativas serão obedecidas e acolhidas por toda comunidade.